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E. Ortega, M. Miller, M.H. Anami, E. Ccopa, P.R. Beskow, L.A. Margarido; A. K. Guimarães. |
Laboratório de Engenharia Ecológica
e Informática Aplicada. FEA, Unicamp. Campinas, SP, Brasil.
8-01-2001. Última revisão: 7-08-2002
Colaboração: UFSCar - DTAISER - Araras. |
O cálculo do impacto sócio-ambiental de projetos é uma extensão da contabilidade econômica tradicional. A ferramenta de trabalho básica para a contabilidade sócio-ambiental é uma planilha onde se registram todos os fluxos de entrada e saída do sistema estudado e não apenas os fluxos monetários. Consideram-se todos os bens e serviços consumidos (da economia e da natureza) e também todos os produtos e resíduos produzidos.
Na prática, agregam-se linhas à planilha econômica
tradicional para considerar:
(a) as contribuições da natureza,
(b) as perdas ou ganhos nos estoques internos do sistema,
(c) as despesas que o sistema acarreta em outros sistemas.
As primeiras linhas são incluídas para levar em conta
os serviços ambientais.
As segundas permitem mensurar a eficiência do sistema.
As últimas correspondem as externalidades negativas, que a sociedade
paga em vez das empresas que as geram.
Todos os fluxos, sejam materiais, serviços ou dinheiro, são convertidos em fluxos de emergia, conceito físico que considera toda a energia incorporada nos recursos a serem usados no sistema (Odum, 1996). É necessário dispor de dados de outros pesquisadores que estudaram os processos de transformação necessários para a produção de cada recurso e calcularam a eficiência sistêmica desse processo.
No cálculo de fluxos de emergia usa-se um fator de conversão, que é o valor inverso da eficiência sistêmica, o qual denomina-se Transformidade. Colocamos uma tabela de transformidades no endereço: http://www.unicamp.br/fea/ortega/curso/transformid.htm
Aplicação: comparação de sistemas de produção
Este manual está ainda em construção e será
submetido a diversas revisões nos próximos meses. A finalidade
é mostrar como se calcula a emergia dos diversos fluxos de entrada
e saída no balanço de emergia de sistemas agrícolas.
O cálculo dos valores de emergia dos insumos e dos serviços
da economia é relativamente simples, bastando achar a transformidade
apropriada e, às vezes, realizar alguma conversão de unidades.
Já no caso dos recursos naturais (tanto os renováveis
quanto os não renováveis) a obtenção dos valores
dos fluxos de recursos e sua conversão para fluxos de emergia exigem
um esforço maior; para facilitar a compreensão do cálculo,
mostraremos exemplos dos procedimentos seguidos para mensurar a contribuição
das diversas fontes e estoques de energia que permitem o funcionamento
do sistema. Os procedimentos de cálculo serão descritos na
seguinte ordem:
(E.1) Produto principal; |
(E.2) Subprodutos; |
(E.3) Resíduos. |
(F.1) Fertilizantes; |
(F.2) Pesticidas; |
(F.3) Herbicidas. |
(G.1) Tratamento médico de trabalhadores e familiares; |
(G.2) Tratamento de efluentes líquidos e sólidos. |
Para o cálculo dos materiais e serviços utilizados na produção, os dados podem ser obtidos facilmente em anuários e em contatos com produtores, extensionistas e pesquisadores. As principais informações ,consumo e preço unitário dos insumos, podem ser obtidas na publicação Agrianual, editada pela empresa de consultoria FNP, de São Paulo. Também podem ser obtidos dados de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), de institutos de pesquisa estaduais (IAPAR do Paraná, IAC de Campinas, SP), de empresas estaduais de extensão rural (CATI-SP, EMATER-RS) e de consultas a Engenheiros Agrônomos. Algumas informações podem ser encontradas por meio de pesquisa nas páginas da Internet. O Censo Nacional Agropecuário também fornece dados valiosos.
A. CONTRIBUÇÕES AMBIENTAIS DO SISTEMA EXTERNO
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Considerou-se que a precipitação pluvial recebida no cultivo da soja corresponderia a 0,8 m3 de chuva por m2 por ano na região produtora do Paraná. O saldo anual de água (700 mm) poderia ser usado para plantar milho ou trigo. Se a água trazida pela chuva for muita e bem distribuída, pode permitir duas safras anuais. Em São Paulo poderíamos ter 1000 mm de coluna de água na safra da chuvas (soja) e 500 mm na safra da seca (milho). ![]()
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Procede-se à conversão de unidades: primeiramente para unidades de área (m3/ha/ano); hectare: 1 ha = 10000 m2 ; depois para unidades de massa (kg/ha/ano); densidade da água: 1 m3 corresponde a 1,0 E+03 kg; finalmente para unidades de energia (Joule/ha/ano); energia livre de Gibbs da água: 1 kg corresponde a 5,0 E+03 J. A energia da água na agricultura depende de sua capacidade de solubilizar sólidos existentes no solo agrícola para serem absorvidos pela planta; a Energia Livre de Gibbs mede esse potencial de trabalho ecossistêmico. 10000 m2 * 1000 kg * 5000 J * = 5.0 E10 J m2 . 1 ha m3 kg ha . m3 Podemos agora multiplicar o valor da precipitação pelo fator de conversão de unidades obtido acima. 0.8 m3 * 5.0 E10 J .m2 = 4.0 E10 J m2. ano ha . m3 ha. ano |
Obtido o fluxo de energia, procede-se a sua conversão em fluxo de emergia usando o valor da transformidade correspondente ao potencial químico da água de chuva (1.82 E+04 seJ/J). Feitas todas estas operações, temos o fluxo de emergia: 7.28 E+14 sej/ha/ano. O fluxo monetário equivalente da chuva é 196.76 US$ emergéticos/ ha/ano. Repare que o preço da terra agrícola depende, em grande parte, da quantidade e qualidade da água de chuva. A água de irrigação começará a ser cobrada em todas as bacias hidrográficas do país; o custo a ser cobrado inicialmente é estimado em 0.10 US$/m3. Será esta uma estimativa correta? |
B. MUDANÇA DOS ESTOQUES INTERNOS (ACÚMULO OU PERDA)
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1500 kg de solo * 0.04 kg matéria orgânica
* 5400 kcal = 3.24 E+05 kcal
Depois multiplica-se pelo fator de conversão: 4186 Joule/
1 kcal. Obtido o valor energético em termos do valor calórico
da matéria orgânica seca do solo, é então possível
utilizar-se a transformidade correspondente constante da tabela (7,38
E+04 sej/J) para obter o fluxo de emergia: 1.00 E+14 sej/ha/ano. O fluxo
monetário equivalente é de 27.03 US$ emergéticos/ha/ano.
Observação: assim como no caso da água, o consumo
exagerado de solo pode vir a ser taxado nas bacias hidrográficas
para otimizar o uso dos recursos produtivos.
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BIODIVERSIDADE: Recuperação, equilíbrio ou perda de reservas de biodiversidade
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PERDA OU INCORPORAÇÃO DE PESSOAS:
Considerando a agricultura agroquímica como referência, observa-se que a produção orgânica gera emprego e a opção plantio direto-herbicidas gera desemprego. A produtividade das opções plantio direto-herbicidas e agroquímica é a mesma, derivando o lucro da opção plantio direto-herbicidas da dispensa de trabalho humano na lavoura (suspensão do corte manual e da capina). O que pode vir a ser "vantagem" para o grande agricultor pode ser "desvantagem" para o pequeno e médio agricultor que não pode adotar essa tecnologia intensiva em recursos energéticos e econômicos e que elimina trabalho braçal (emprego rural). E acima de tudo, desvantagem para a sociedade, que passa a assumir o ônus do desemprego rural e as despesas diretas e indiretas do êxodo para as cidades e da favelização e marginalização decorrentes. Este fato deve ser considerado na discussão de políticas públicas para a agricultura. As pessoas são uma fonte de energia na produção rural e, portanto, a perda dos trabalhadores pode ser estimada como trabalho que deixa de ser utilizado (plantio-direto-herbicidas) ou passa a ser agregado (orgânica). |
C. INSUMOS MATERIAIS SEMENTES:
Na produção agrícola usam-se 60 a 90 quilogramas de sementes por hectare por ano (kg/ha/ano). Semente orgânica produzida pelos agricultores (transformidade: 1.0 E12 sej/kg); Semente híbrida ou fiscalizada de empresas (transformidade: 1.0 E12 sej/kg); Semente transgênica resistente a herbicida (transformidade estimada: 1.0 E13 sej/kg); Obtenção do valor da transformidade por kg de soja:
1.8 E7 Joules * 66000 sej =
1.05
E+12 seJ
Considera-se que o investimento tecnológico e de comercialização
e propaganda é alto na produção da semente transgênica,
por isso o valor é dez vezes maior, sobretudo sendo ela proibida
no país.
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(0.85- 8.5) seJ * 3.7 E12 US$ =
23-230 US$ emergéticos
O preço das sementes utilizado nos cálculos varia entre
0.20 e 0.40 US$/kg. Obtém-se o fluxo monetário real em
US$/ ha/ano multiplicando-se o custo unitário pela quantidade
utilizada de sementes .
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Em algumas culturas agrícolas usam-se mudas. Como não existe um valor tabelado para emergia de inoculante, há necessidade de usar o valor monetário e a transformidade do dólar no Brasil. x kg * y dólares * 3.7 E12 seJ = z US$ emergéticos ha . ano kg dólar ha . ano Multiplica-se o volume consumido (kg/ha/ano) pelo preço
unitário do produto (US$/kg) e pela transformidade (3,70E+12
sej/US$). Neste caso o fluxo monetário equivalente (em US$ emergéticos/ha/ano)
é idêntico ao fluxo monetário real pelo fato de ter
sido utilizada a transformidade em dinheiro.
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Na produção de soja com o uso de herbicidas convencionais são utilizados 1,7 quilogramas de inoculante por hectare por ano. Como não existe um valor tabelado para emergia de inoculante, há a necessidade de usar o valor monetário e o fator de conversão do valor monetário no Brasil em termos de emergia. Multiplica-se o volume consumido pelo preço unitário do produto e pela transformidade da moeda. 1.7 kg * 0.86 dólar * 3.7 E12 sej = 5.45 E12 sej ha . ano kg dólar ha . ano O fluxo monetário equivalente, 1.46 US$ emergéticos/ ha/ano
é idêntico ao fluxo monetário real pelo fato de ter
sido utilizada a transformidade em dinheiro. Observação:
a despesa emergética com inoculante é pequena em relação
ao benefício que ele traz ao sistema em termos de nitrogênio
atmosférico capturado.
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As terras de diversas regiões do Brasil são ácidas e respondem postivamente (em produtividade) à adição de material calcário. As tabelas fornecem valores de transformidade para calcário em termos de emergia solar por massa (seJ/kg). 2000 kg de calcário * 1.0 E12 seJ = 2.0 E+15 seJ ha . ano kg de calcário ha. ano |
Podem ser usados diversos tipos de nutrientes: (a) Fertilizantes químicos solúveis; (b) Esterco; (c) Rocha moída; (d) Adubo verde, (e) Compostos; (f) Resíduos (rurais e urbanos). Os fertilizantes químicos solúveis podem ser:
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(a) seJ/J de fertilizante; (b) seJ/kg de fertilizante e (c) seJ/kg do elemento ativo. Transformidades seJ/J fertilizante sej/kg fertilizante seJ/kg elemento Nitrogenados (1 860 000) 38.0 E11 46.0 E11 Potássicos (3 000 000) 11.0 E11 17.4 E11 Fosfatados (10 100 000) 39.0 E11 178.0 E11 As transformidades mais usadas são as dadas em termos de massa
(seJ/kg de fertilizante).
Pode-se usar valores ponderados em função da proporção
de cada tipo de sal químico.
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Fertilizante (10,20,20). Os valores indicados entre parênteses são as porcentagens de N, P2O5 e K2O no fertilizante. As relações dos pesos moleculares são: [P/P2O5]=0.437 e [K/K2O]=0.83 46E11(1.0)(0.1)+17.4E11(0.437)(0.2)+178(0.83)(0.2) = 4.6 E11 + 1.53 E11 + 29.54 E11 = 35.7 E11 seJ/kg 300 kg fertilizante (10,20,20) * 35.7 E11 seJ
= 10.7 E+14 seJ
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(a) seJ/J de fertilizante; (b) seJ/kg de fertilizante. Transformidades seJ/J substância sej/kg substância Pesticidas (geral) 1 970 000 1.48 E13 Herbicidas (geral) - 1.48 E13 As transformidades mais usadas são as dadas em termos de massa
(seJ/kg).
1.5 litros herbicida * 0.7 kg * 1.48
E13 seJ = 1.55 E14 seJ
A densidade emergética dos agrotóxicos é alta devido
ao fato de ser seu processo de fabricação muito intensivo
no uso de recursos energéticos não renováveis. Na
metodologia emergética (Odum, 1996) não se dispõe,
no momento, de valores de transformidade específicos para os diversos
tipos de pesticida (inseticida, acaricida, fungicida, etc.), portanto
para todos eles usamos o valor geral.
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0.75 kg * 10000 kcal * 4186 J =
3.14 E+07 J
Este fator (em J/litro) nos permite converter o fluxo de combustível
(litros/ha/ano) em fluxo de energia (J/ha/ano).
Geralmente o valor emergético é maior que o econômico,
o que pode ser interpretado como subsídio temporário à
economia causado pelo baixo preço do petróleo e de seus derivados,
fruto de uma situação injusta forçada por intervenção
política e militar no Oriente Médio.
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E, também que o trator é depreciado em 10 anos. 3000 kg = 1 kg de aço. 300 ha 10 anos ha. ano Para obter o fluxo de emergia usa-se a transformidade do aço
trabalhado
1 kg de aço * 67 E11 sej =
6.7
E12 seJ .
Sabendo-se que 1 dólar corresponde a 3.7 E12 seJ, para obter-se o fluxo monetário equivalente, multiplica-se o valor obtido por 1/ 3.7E12. 6.7 E12 sej * 1 dólar
= 1.8 em-dólares
Assim, o fluxo monetário equivalente é de 1.8 US$
emergéticos/ha.ano.
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D. SERVIÇOS ECONÔMICOS MÃO-DE-OBRA:
A mão-de-obra provém de um subsistema do sistema agrícola, que pode estar localizado dentro da unidade rural ou na cidade. Para que haja disponibilidade do trabalho do chefe de família é necessário que ele consiga dinheiro suficiente para pagar todas as despesas da família. Se o trabalhador e sua família estiverem no meio rural e o meio ambiente estiver em boas condições, ele pode conseguir recursos gratuitos da natureza que de outra forma teria que adquirir na cidade usando dinheiro. A qualidade de vida do trabalhador rural depende da existência de reservas florestais que possam lhe proporcionar: frutas, caça, diversão, sombra e água fresca, pesca, remédios, etc. O salário mínimo deve ser suficiente para que a família do trabalhador possa viver com um mínimo de dignidade, segurança e conforto, e libere o chefe de família para oferecer 8 horas por dia de trabalho agrícola de boa qualidade. O empregador paga o salário e assume certos encargos sociais que revertem em forma de serviços oferecidos pelo governo (educação, comunicações, pesquisa, cuidados preventivos com a saúde, atendimento médico). |
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Considerações para cálculo
da transformidade em termos de emjoules solares por Joule (sej/J):
Um trabalhador braçal no meio rural no Brasil, em 2001, recebia um salário mínimo de R$ 180,00. A taxa média de câmbio nesse ano foi de 2.6 Reais/dólar. Emergia do salario anual:
Energia anual dispendida pelo trabalhador:
Sendo assim a transformidade de seu trabalho era :
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Trabalho Simples : 1 SM: aproximadamente 670000 sej/J * 1.0 = 6.7 x 105 sej / J Operador de Máquina : 3 SM: aproximadamente 670000 sej/J * 3.0 = 1.9 x 106 sej / J Técnico Agrícola : 5 SM: aproximadamente 670000 sej/J * 5.0 = 3.3 x 106 sej / J Técnico Nível Rural :10 SM: aproximadamente 670000 sej/J * 10 = 6.7 x 106 sej / J Professor Universitário :25 SM: aproximadamente 670000 sej/J * 25 = 16.7 x 106 sej / J Considerações para o cálculo da transformidade em emjoules solares por hora (sej/h): Trabalho Simples : 6.7E5 sej/J
* (4186 J/kcal) * (3200 kcal/dia) * (1dia/8 h) = 1.1 E12 sej / h
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O conceito homem-dia significa 8 horas de trabalho por dia, ou 8 homens-hora. Aqui há a necessidade de utilizar um fator de conversão, já que a quantidade é apresentada em horas/ha.ano. Esse fator é 1,67E+06 J/hora e é obtido da seguinte maneira: 3200 kcal * 4186 J * 1.0 homem-dia
= 1.67 E+06 J
A multiplicação deste fator pelo número de horas de trabalho simples utilizada permite obter o fluxo de energia em J/ha.ano (se o valor for diferente de zero) e a transformidade a ser utilizada é 4.0 E+05 sej/J. Multiplicando-se os valores mencionados, obtém-se o fluxo de emergia em sej/ha.ano. Se multiplicássemos este valor pela razão emergia/dólar para o Brasil nesse ano, obteríamos o fluxo monetário equivalente, em dólares emergéticos/ha.ano. Este valor é denominado também valor macroeconômico ou em-dólares. O preço da mão-de-obra simples considerado foi
de 0.33 US$/hora.
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Também há necessidade de utilizar um fator de conversão, já que a quantidade é apresentada em horas/ha.ano. Esse fator é 1,31E+06 J/hora e é obtido da seguinte forma: 2500 kcal * 4186 J * 1 dia
= 1,31E+06 J
A multiplicação deste fator pela quantidade de horas de
trabalho qualificado necessária permite obter o fluxo de energia:
1,05E+06 J/ha.ano.
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Na produção de soja com herbicidas e plantio direto, este valor é fornecido em dólares por hectare por ano (4.28 US$/ha.ano). Por isso, a transformidade utilizada é 3.70E+12 seJ/dólar e o fluxo de emergia é 1.58E+13 sej/ ha.ano. O fluxo monetário equivalente e o fluxo monetário real são iguais (4.28 US$/ ha.ano). |
Corresponde aos trabalhos de: (a) Preparação; (b) Semeadura e (c) Colheita. Também pode incluir: (d) Beneficiamento no local, (e) Transporte e (f) Limpeza, secagem e armazenamento. Temos duas alternativas de cálculo:
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A transformidade utilizada é 3.70E+12 sej/US$. O fluxo monetário real e o equivalente emergético são iguais (2.94 US$/ha.ano). |
Devem ser considerados todos os produtos do sistema. Alguns deles são facilmente reconhecidos como tais, outros não. Além dos produtos principais existem sub-produtos, com e sem valor comercial. E também existem os resíduos, sólidos, líquidos e gasosos. Os resíduos podem gerar lucros ou despesas. Podem induzir ações de tratamento e reciclagem ou cuidados especiais com sua toxicidade e gerar gastos adicionais. Na metodologia emergética devemos levar em conta a energia
do(s) produto (s); geralmente, no caso de matérias primas
agrícolas, a energia corresponde ao seu valor calórico.
Precisamos saber a composição centesimal do produto para
calcular seu valor calórico. Este cálculo tem que ser em
base seca. Dados a serem usados: Umidade: sem valor calórico;
Proteína:
4500 kcal/kg; Carboidratos: 5000 kcal/kg;
Lipídios:
9000 kcal/kg
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Até 50% dos fertilizantes químicos solúveis são perdidos pela ação da chuva intensa. Eles escoam superficialmente ou se infiltram no lençol freático sem interagir com a planta. Com os agrotóxicos e os herbicidas ocorre o mesmo fenômeno em grau menor. O endurecimento do solo pelo peso das máquinas agrícolas e a perda da porosidade natural provocada pela perda da biota do solo levam à diminuição da infiltração de água no solo e perda de produtividade. |
Externalidades negativas: Devem ser estimados os gastos em tratamentos de saúde e a morte de trabalhadores rurais e seus familiares causados pelo uso de agrotóxicos na lavoura convencional. Também as despesas em tratamento de resíduos colocados no ambiente devem ser consideradas. Exclusão social:
Externalidades positivas e inclusão social:
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A capacidade de aproveitamento dos recursos da natureza é muito maior no sistema orgânico do que nos sistemas agroquímicos e que usam herbicidas - plantio direto. Um dos fatores importantes que estabelecem esta característica do sistema orgânico é o fato de a produção ser majoritariamente familiar. Quando as pessoas moram na terra que cultivam, há uma preocupação muito maior com a sua conservação e com a preservação dos recursos naturais presentes no espaço onde vivem. Sem contar que mais pessoas habitam a propriedade e contribuem trabalhando diretamente na produção e se preocupam com os danos à saúde gerados pelos agrotóxicos. O sistema orgânico é intensivo em mão-de-obra e a conversão dos sistemas agroquímicos e /ou herbicidas-plantio direto a orgânicos ( processo denominado "transição agro-ambiental") pode gerar empregos no meio rural. Esta característica do processo orgânico é importante para a Reforma Agrária e Política de Empregos. Isto explica porque se colocam, no diagrama da produção
orgânica, os símbolos para famílias rurais, fluxo de
pessoas, biodiversidade regional e local, que não existem nos sistemas
agroquímicos e de plantio direto. Também, em tese, os ecossistemas
encontram-se preservados nos sistemas orgânicos e incompletos nos
outros dois sistemas porque o controle biológico é condição
necessária nos sistemas orgânicos.
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É possível perceber que ocorre a reciclagem de materiais no diagrama orgânico, visto que os proprietários (produção familiar) habitam nas instalações rurais e interessam-se em reutilizar os subprodutos e procuram implementar essa estratégia de diversas maneiras. Desta forma, aproveitam ao máximo os recursos que a propriedade possui. Um exemplo bem conhecido é o uso de matéria orgânica em decomposição como adubo e a adubação verde. Estes processos permitem diminuir a compra de insumos, pois incorporam nutrientes da natureza sem custos adicionais (a não ser o trabalho humano). Em virtude do exposto acima, os serviços e materiais externos, que precisam ser adquiridos ou requisitados, estão representados em menor quantidade no diagrama do sistema orgânico do que nos outros dois. A diferença marcante entre o sistema orgânico de produção
e os sistemas agroquímico e herbicidas-plantio direto é a
relação com os recursos da Natureza, tanto os dela retirados,
quanto os a ela devolvidos. Isso é feito de maneira mais harmoniosa
e não destrutiva nas propriedades orgânicas do que nas propriedades
com os sistemas convencionais. Pretende-se comprovar estas afirmações
com a análise das Planilhas de Fluxo de Emergia.
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- fim -