PRODUÇÃO ECOSSISTÊMICA DE SOJA E MILHO -
planilha do sistema complexo de tipo agroecológico.

Proposta inicial:
Enrique Ortega , Mariana Miller
FEA - Unicamp, Caixa Postal 6121
CEP 13083-970 Campinas, SP.

Colaboradores à distância:
Glauber Gava. CENA, ESALQ-USP, Piracicaba, SP.
Luiz Antônio Barcellos. EMATER, Santa Maria, RGS.

Download do arquivo Excel: soja-complexo-3manejos-new.xls

Introdução:

Na análise ecossistêmica complexa do sistema de produção de soja no Brasil vamos considerar que no mesmo terreno costuma-se plantar milho como cultura complementar.

Nesta análise será feito um esforço para contabilizar:

  1. as contribuições ambientais (nitrogênio, nutrientes da rocha mãe, controle biológico, etc.);
  2. as perdas do ecossistema (solo, água, biodiversidade, pessoas);
  3. algumas das externalidades (tratamento de efluentes, tratamento médico, etc. ).

Os dados empregados correspondem as condições de produção dos estados de Rio Grande do Sul e Paraná.

São estudadas as três principais formas de produção:


A opção agroquímica tem com principais características:

  1. Grande perda do solo;
  2. Captura de nitrogênio atmosférico (bactérias nitrificantes);
  3. Uso intensivo de fertilizantes químicos solúveis (fosfatados e potássicos);
  4. Uso intensivo de agrotóxicos;
  5. Uso intensivo de maquinaria agrícola;
  6. Uso reduzido de mão de obra;
  7. Perda por lixiviação de 50% dos fertilizantes solúveis usados;
  8. Contaminação do solo, dos alimentos e da água com agrotóxicos;
  9. Não contabiliza as externalidades.

 




 


A opção de herbicidas tem com principais características:

  1. Perda reduzida de solo (devido ao uso da técnica de plantio direto);
  2. Captura de nitrogênio atmosférico (bactérias nitrificantes);
  3. Uso intensivo de fertilizantes químicos solúveis (fosfatados e potássicos);
  4. Uso intensivo de agrotóxicos;
  5. Uso moderado de maquinaria agrícola;
  6. Uso mínimo de mão de obra;
  7. Uso intensivo de herbicidas,
  8. Perda por lixiviação de dos insumos solúveis usados;
  9. Não contabiliza as externalidades.
  10. Contaminação do solo, dos alimentos e da água com agrotóxicos;

 




 


A opção orgânica tem com principais características:

  1. Perda mínima de solo (devido ao uso de plantio direto e recomposição);
  2. Captura de nitrogênio atmosférico (bactérias nitrificantes);
  3. Uso de fertilizantes químicos não-solúveis e esterco animal e vegetal;
  4. Não usa agrotóxicos;
  5. Uso moderado de maquinaria agrícola;
  6. Uso amplo de mão de obra familiar;
  7. Não usa herbicidas,
  8. Mínima perda por lixiviação de dos insumos usados;
  9. Não contamina o solo, os alimentos nem a água;
  10. Praticamente não tem externalidades.

 




 


Discussão dos resultados:

 


A renovabilidade ou sustentabilidade emergética (%R) decresce com a intensidade de investimento econômico emergético (EIR).

A opção orgânica apresenta uma sustentabilidade muito maior que as outras opções estudadas.


A rentabilidade econômica aumenta com a intensidade de investimento econômico emergético (EIR).

A opção orgânica apresenta uma rentabilidade levemente menor que as opções químicas.


A rentabilidade sócio-ambiental mostra queda ao aumentar a intensidade de investimento econômico emergético (EIR).

A opção orgânica mantem a rentabilidade, já as opções químicas perdem sua vantagem competitiva e apresentam valores menores que a opção ecológica.

 




Observações e discussão:

  1. Os gráficos 1 (renovabilidade x EIR) e 2 (rentabilidade econômica x EIR) mostram que:

    • A renovabilidade decresce ao aumentar o investimento econômico.
    • A rentabilidade cresce ao aumentar o investimento econômico.

    Neste caso a preocupação com o lucro impede a mudança para uma agricultura sustentável.

  2. O gráfico 3 (rentabilidade sócio-econômica x EIR) mostra que:

    Quando se levam em consideração as perdas e as externalidades do sistema, a rentabilidade da opção orgânica é superior às opções agro-química e de herbicidas .

  3. Se os responsáveis pelas politicas públicas levassem em consideração as importantes contribuições da biodiversidade (nitrogênio atmosférico, NPK da rocha mãe, controle biológico, etc.), as perdas econômicas do sistema (solo, água, fertilizantes, etc.) e as externalidades (tratamentos ex-situ) poderia haver avanços na transição para a agricultura sustentável.

  4. Nesta análise ainda foram consideradas várias contribuições da biodiversidade e algumas externalidades. O estudo permitiu comparar os resultados das planilhas do sistema de representação simples e complexo.

    • Pode-se observar que no caso dos sistemas agroquímico e agricultura de herbicidas os resultados das duas planilhas são semelhantes, pois as contribuições da biodiversidade são mínimas.

    • Já no caso do sistema orgânico, os resultados são muito diferentes e mostram as beneses do uso dos recursos biológicos na produção agrícola, configurando a opção tecnológica sustentável.

    Veja o estudo prévio em:
    "Produção ecossistêmica de soja e milho - planilha do sistema convencional"

Referências bibliográficas:

Environmental Accounting: Emergy and environmental decision making
by Howard T. Odum
Hardcover, 370 pages, published by John Wiley & Sons, Inc., New York, USA, 1996
ISBN 0-471-11442-1
Ecological and General Systems: An Introduction to Systems Ecology
by Howard T. Odum
Paperback, published by University Press of Colorado, April 1994
ISBN: 087081320X
Maximum Power: A Festschrift on Ecology, Energy, and Economy in Honor of Howard T. Odum
by Charles A. S. Hall (Editor)
Hardcover, published by University Press of Colorado, November 1995
ISBN: 0870813625

Laboratorio de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada
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http://www.unicamp.br/fea/ortega/homepage.htm

Página feita em: 23-02-2000. Atualizada em 04-04-2000