"SOFTWARE PARA COMPARAÇÃO ECOSSISTÊMICA, ENERGÉTICA E ECONÔMICA DE TRÊS SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SOJA: (A) ORGÂNICA, (B) AGROQUÍMICA E (C) HERBICIDAS - PLANTIO DIRETO (TRANSGÊNICA)".
Enrique Ortega, Mariana Miller.
FEA-Unicamp, CP 6121
13083-970 Campinas, SP, Brasil.
Introdução
O sistema econômico ganhou uma nova variável de medição de desempenho que torna obsoletos os métodos tradicionais de avaliação de projetos. Trata-se do parâmetro "Sustentabilidade". É reconhecida na Agenda 21 Global, elaborada em 1992 (MMA, 1999; Leis, 1999), que nosso sistema como um todo, hoje é insustentável e que muitas de suas partes também o são.
De que depende que um sistema seja sustentável? Da sua capacidade de auto-análise, da percepção das fontes de energia que utiliza, do reconhecimento de que muitas delas tem caráter efêmero e, sobretudo, da sua capacidade de auto-governo.
A questão metodológica crítica é distinguir todas as fontes de energia que usamos, e qualificá-las como renováveis ou não renováveis e, finalmente, obter a taxa de renovabilidade energética, o índice mais adequado para medir a sustentabilidade:
Energia renovável |
||
Renovabilidade |
= |
--------------------------- |
Energia total usada |
A sustentabilidade citada acima pode ser calculada em diversas formas:
Cabe citar aqui que se considera que a Economia Neo Clássica, hoje ainda amplamente usada, não poderá superar, por conta própria, suas deficiências metodológicas para medir a sustentabilidade (Ulgiati e colaboradores, 1998).
Em vista do anterior, podemos considerar que há três metodologias que competem para serem as ferramentas de avaliação de projetos da Economia Sustentável: a economia ecológica, a metodologia exergética e a metodologia emergética.
Materiais e Métodos
Neste trabalho emprega-se a metodologia emergética da forma defendida por Odum (1976, 1981, 1983, 1996, 1998). A metodologia emergética tem sido usada para analisar os sistemas agrícolas convencionais (intensivos em energia não renovável) dos Estados Unidos e Europa (Odum, 1987; Brandt-Williams e Odum, 1998; e Ulgiati e colaboradores, 1998).
Contudo, Ortega e Polidoro (1998), em função das características peculiares da agricultura ecológica propõem uma abordagem diferente, no sentido de considerar todas as contribuições da natureza à agricultura, as perdas do sistema e as externalidades. Este trabalho procura atender os lineamentos metodológicos sugeridos por esses autores.
Diagrama de fluxo energético da Biosfera
Brown (1998), seguindo os lineamentos metodológicos de Odum (1996), elaborou uma análise do desempenho da nossa Biosfera no século que terminou, e descobriu que em cem anos a taxa de renovabilidade global caiu de 95 para 27%. Para alguns países essa queda é mais drástica, nos industrializados a tendência foi reduzir até 5 - 15%.
Figura 1. Diagrama de fluxos de energia da biosfera terrestre.
Diagrama de fluxo enérgico do sistema agroecológico
Assim como é possível analisar o sistema global é possível analisar subsistemas. Nos interessa conhecer o desempenho emergético dos sistemas agrícolas e agro-industriais do Brasil. Para aplicar a metodologia preparamos um diagrama geral de fluxos de energia de sistemas de agricultura ecológica. Mais antes de apresentá-lo, consideramos conveniente rever o diagrama da Biosfera, identificando melhor os estoques de energia interna:
Figura 2. Diagrama dos estoques internos de energia da Biosfera.
Figura 3. Diagrama de fluxos de energia de um sistema agro-ecológico
Tabelas de emergia
Índices
Definição do sistema pesquisado.
Na análise ecossistêmica complexa do sistema de produção de soja no Brasil vamos considerar que no mesmo terreno costuma-se plantar milho como cultura complementar. Nesta análise será feito um esforço para contabilizar: as contribuições ambientais (nitrogênio, nutrientes da rocha mãe, controle biológico, etc.); as perdas do ecossistema (solo, água, biodiversidade, pessoas); algumas das externalidades (tratamento de efluentes, tratamento médico, etc.). Nas principais areas de plantio no Brasil costuma-se plantar, no mesmo terreno, soja no verão e milho no inverno, formando um sistema complemetar. Nesta análise usamos dados de Rio Grande do Sul e Paraná. Neste trabalho foram estudadas as três principais formas de produção: (a) Agroquímica (a mais usada até 5 anos atrás); (b) Herbicidas (a mais promovida atualmente); (c) Orgânica (a opção que está sendo descoberta por vários produtores).
A opção agroquímica tem com principais características:
1.Grande perda do solo;
2.Captura de nitrogênio atmosférico (bactérias nitrificantes);
3.Uso intensivo de fertilizantes químicos solúveis (fosfatados e potássicos);
4.Uso intensivo de agrotóxicos;
5.Uso intensivo de maquinaria agrícola;
6.Uso reduzido de mão de obra;
7.Perda por lixiviação de 50% dos fertilizantes solúveis usados;
8.Contaminação do solo, dos alimentos e da água com agrotóxicos;
9.Não contabiliza as externalidades.
A opção de herbicidas tem com principais características:
1.Perda reduzida de solo (devido ao uso da técnica de plantio direto);A opção orgânica tem com principais características:
1.Perda mínima de solo (devido ao uso de plantio direto e recomposição);Figura 4. Plantação de soja no sul do Brasil
Resultados
Tabelas de resultados
Discussão
A metodologia emergética tem sido usada nos países desenvolvidos para estudar os sistemas agrícolas (convencionais – intensivos em energia não-renovável). Para descrever e avaliar os sistemas agrícolas de tipo ecológico (intensivos em recursos renováveis) a aplicação da metodologia fornece resultados insuficientes.
Tabela de comparação de resultados dos sistemas de avaliação
Método simples |
Método complexo |
|||||
AO |
AQ |
AH |
AO |
AQ |
AH |
|
Transformidade |
49 000 |
59 000 |
81 000 |
80 000 |
76 000 |
107 000 |
Renovabilidade |
0.33 |
0.16 |
0.12 |
0.56 |
0.11 |
0.10 |
EYR |
1.56 |
1.49 |
1.23 |
2.40 |
1.93 |
1.37 |
EIR |
1.8 |
2.1 |
4.4 |
0.7 |
1.1 |
2.7 |
EER |
0.5 |
1.9 |
1.0 |
0.8 |
2.4 |
1.3 |
RE |
4.3 |
2.1 |
10.6 |
1.1 |
1.5 |
1.7 |
RSA |
4.3 |
0.4 |
4.4 |
1.0 |
-0.3 |
0.6 |
Conclusões:
Recomendações:
Agradecimentos:
Bibliografia
PIMENTEL, D.; PIMENTEL, M "Food, Energy and Society." University Press of Colorado, Colorado, EUA, 1996.
STOUT, B. "Handbook of energy for World Agriculture." Elsevier Science publishers, New York, EUA, 1989.
FNP; "Agrianual 99, Anuário da Agricultura Brasileira." Editora Argos, São Paulo, 199 9.
INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA DO ESTADO DE SÃO PAULO. "Informações econômicas." Volume 29, n.07, São Paulo, 1999.
INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERACIÓN PARA LA AGRICULTURA. "Dialogo Li: Valoración económica en el uso de los Recursos naturales y el Medio Ambiental.", Montevideo, 1998.
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Laboratorio de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada |