CURSO DE ECOSSISTEMAS E POLÍTICAS PÚBLICAS
PARTE I. PRINCÍPIOS E LINGUAGEM SIMBÓLICA

CAPÍTULO 3. CADEIA ALIMENTAR DO BOSQUE DE PINHEIROS

OBJETIVOS:

1. Fazer uma lista das partes e explicar os processos do ecossistema florestal, usando o bosque de pinheiros como exemplo;
2. Explicar como muitas partes da árvore recebem seu alimento a partir das folhas;
3. Traçar os caminhos da cadeia alimentícia do bosque de pinheiros, conectando plantas, animais, solo e microorganismos;
4. Nomear e descrever o símbolo para uma função de interrupção ou desvio; explicar como o incêndio na floresta é um exemplo; indicar como o fogo é um consumidor, e identificar seus subprodutos;
5. Explicar como a retroalimentação que provém dos animais pode controlar as plantas.

No Capítulo 2, os fluxos de energia e materiais em ecossistemas, foram estudados usando a floresta como exemplo. Neste capítulo estudaremos com mais detalhe as árvores, a cadeia alimentar, os decompositores, o controle das ações dos animais e o fogo, e a forma em que o ecossistema do bosque de pinheiros se reorganiza com o tempo.


3.1 FOTOSSÍNTESE E RESPIRAÇÃO DA PLANTA.

O açúcar produzido pela fotossíntese da folha alimentará outras partes da árvore. O açúcar passa através de delgados canais das folhas para os ramos, galhos, tronco, raiz, flores e frutos. A Figura 3.1 mostra as folhas como produtoras e o resto da árvore como consumidor. As partes consumidoras da árvore mantêm as folhas, processam nutrientes e água provenientes do solo e levam a cabo a reprodução. À noite, as folhas também se tornam consumidoras, utilizando os depósitos de açúcar produzidos durante o dia anterior com a luz do sol. O processo de consumo utiliza açúcar e oxigênio e libera dióxido de carbono, água e nutrientes conforme se descreveu no Capítulo 2. Esse processo é também chamado respiração.


Figura 3.1 Fotossíntese e transpiração da planta.

Normalmente a produção das folhas é maior que o consumo pelo resto da planta. A árvore inteira produz alimento suficiente para manter outras partes do ecossistema, incluindo animais e organismos do solo. Para mostrar que a fotossíntese e a respiração são partes do processo de produção da planta, um grande símbolo de produção é desenhado ao redor de todas as partes da árvore na Figura 3.1.

O sol e o vento fornecem energia para ajudar as folhas a transpirar a água. Esse fluxo de água flui pelos capilares (finos canais) da madeira dos troncos, transportando ao mesmo tempo os nutrientes necessários para a fotossíntese da folha. Na Figura 3.1, o caminho da água e nutrientes é mostrado como um caminho que se origina na terra e vai para as folhas.


3.2 MATÉRIA ORGÂNICA DO SOLO E DECOMPOSITORES.

As plantas e animais eliminam materiais ou morrem, e estes seus restos caem ao solo como matéria orgânica morta. Esse material se chama serapilheira. Estão incluídos na serrapilheira as folhas mortas, ramos, troncos, excrementos de animais, penas, etc. Muitas espécies de animais do solo, incluindo uma grande biomassa de minhocas, se alimentam da serrapilheira, dividindo-a em pequenas partículas. Fungos, bactérias e outros microorganismos usam a matéria orgânica restante como comida. Esses consumidores são chamamados decompositores porque desdobram moléculas orgânicas complexas em nutrientes simples; produzem nutrientes (como fosfatos, nitratos, potássio e muitas outras substâncias químicas) que podem novamente ser absorvidos pelas raízes.


3.3 FOGO E O SÍMBOLO DE INTERRUPÇÃO OU DESVIO.

Na Figura 3.2 está um novo símbolo, o qual representa a ação de interrupção ou desvio. Esse símbolo é usado para indicar que o caminho se inicia ou  termina, de acordo com algumas condições de controle. Por exemplo, o fogo é uma ação de desvio. Se inicia quando a biomassa é suficientemente alta e algo acende a chama, na Figura 3.3 é representado como símbolo de desvio. O fogo consome a biomassa e muitos nutrientes são liberados.


Figura 3.2 Símbolo para uma interrupção ou desvio que pode ser iniciado ou apagado.


3.4 DIAGRAMA MAIS DETALHADO DO BOSQUE DE PINHEIROS.

Um modelo mais detalhado do ecossistema do bosque de pinheiros, está desenhado na Figura 3.3. Inclui os símbolos da Figura 3.1. Se refere aos caminhos do leito, os depósitos de biomassa morta, de microorganismos decompositores com sua liberação de nutrientes e a interação com os animais do solo.


3.5 ESTRUTURA DA CADEIA ALIMENTAR.

Em uma cadeia simples de alimentação, a planta produtora é comida por um consumidor de plantas (herbívoro), que por sua vez pode ser ingerido por um carnívoro. O primeiro é um consumidor primário e o segundo é um consumidor secundário. Por exemplo, o esquilo come sementes de pinheiro, e a coruja come o esquilo. Em cada elo da cadeia alimentar algum alimento volta a fazer parte dos tecidos do próximo consumidor.

Usualmente cadeias alimentares simples estão ligadas a outras cadeias alimentares com caminhos ramificados, que formam a Rede Alimentar (N.T. Teias tróficas). A cadeia alimentar do bosque de pinheiros é apresentada na Figura 3.3.


3.6 CONTROLE DE RETROALIMENTAÇÃO.

Na Figura 3.3, os caminhos de retroalimentação mostram a ação dos consumidores para controlar as plantas, e a ação dos altos consumidores em controlar os mais baixos. Enquanto o alimento se move da esquerda à direita, a ação de controle vai de direita à esquerda. O término do controle de retroalimentação se refere ao serviço que faz o consumidor de nível superior para os organismos inferiores. Por exemplo, as abelhas polinizam as flores enquanto re-coletam néctar; os esquilos plantam frutos de carvalho e os pássaros transportam sementes.

O controle da população é outro exemplo do serviço de controle da retroalimentação. Quando uma espécie de planta se torna numerosa, a população de insetos que se alimenta dela, também aumenta. Ao comer grande quantidade de plantas, os insetos podem regular o número de plantas daquela espécie, permitindo o aumento de outras espécies. Como resultado, a floresta mantém uma grande diversidade (diferentes espécies) e melhor produção global.


3.7 FOGO.

No bosque de pinheiros, freqüentemente, quando o tempo está seco, o fogo se propaga matando pequenas árvores jovens. Como os pinheiros resistem ao fogo devido a uma grossa cortiça protetora, eles sobrevivem. A 'queimada' regular mantém a área apenas como bosque de pinheiros.

Ao passar muitos anos entre 'queimadas', muita matéria orgânica pode alimentar o fogo e quando ele vem, é tão quente e queima tão rápido que consome todas as árvores e algumas vezes as cascas. Queimas freqüentes e controladas são um dos caminhos para prevenir fogos destrutivos. Em áreas pouco elevadas ou úmidas, a ausência de fogo permite que árvores de madeira de lei cresçam, evitando que a luz chegue às novas mudas de pinheiro, e converta-se em um bosque maduro de madeira de lei (Veja a discussão sobre Sucessão no Capítulo 15).


Figura 3.3 Ecossistema de bosque de pinheiros
Clique na figura com o botão direito do mouse para visualizá-la melhor


3.8 PERGUNTAS E ATIVIDADES PARA O CAPíTULO 3.
  1. Definir os termos seguintes:
    1. desvio
    2. respiração
    3. controle da população
    4. diversidade
    5. serrapilheira
    6. cadeia alimentar
    7. retroalimentação

  2. Use a Figura 3.3 para explicar o papel dos consumidores primários, secundários e terciários no ecossistema da floresta.

  3. Defina a cadeia alimentar e use-a em uma frase completa.

  4. Porque os controles de retroalimentação são necessários para a sobrevivência de um ecossistema?

  5. Identifique os termos com o símbolo correto:

    a.

    _______ solo

    b.

    _______ folhas

    c.

    _______ gavião

    d.

    _______ chuva

    e.

    _______ fogo

    f.

    _______ produção

  6. Dê 2 exemplos de controle de retroalimentação ou serviço.

  7. Marque os seguintes animais com a letra do grupo ao qual eles pertencem (alguns podem pertencer a mais de um grupo).
    a. consumidores primários
    b. consumidores secundários
    c. consumidores terciários

    _______ coruja
    _______ insetos
    _______ pássaros
    _______ sapos
    _______ serpentes
    _______ ratos

  8. Descreva 2 caminhos de minerais que podem ser reciclados num ecossistema.



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