A RELAÇÃO ENTRE MODO DE PRODUÇÃO RURAL E SUSTENTABILIDADE NO BRASIL.

 

 

 

Diferenças entre os sistemas comunitários e os sistemas capitalistas:

-          Vínculos sociais,

-          Tipo e origem da tecnologia,

-          Atendimento prioritário ao consumo local,

-          Capacidade de atendimento ao mercado exterior,

-          Criação ou manutenção do emprego,

-          Relação com o meio ambiente, qualidade de vida no espaço rural.

 

 

As questões sob estudo devem ser analisadas com uma visão histórica:

-          Como foi o acesso a terra no país ao longo do tempo e nas diversas regiões.

 

-          As políticas públicas para o setor agrícola foram ditadas pelos grandes proprietários de terras junto com o empresariado urbano com vínculos com empresas multinacionais produtoras de insumos e maquinaria. Isso se prolonga ao longo do tempo.

 

 

 

O que está por atrás da discussão da Sustentabilidade:

-          Relação com o meio ambiente (degradação ou convívio).

-          Maneira de usar insumos (auto-suficiência, dependência).

-          Tipo de insumos (tóxicos ou não, importados ou não).

-          A capacidade de gerar em prego,

-          Autonomia e capacidade de planejamento do agricultor e do país (soberania nacional),

-          Produtividade e Rentabilidade.

 

 

 

Resumo da ocupação agrícola do território brasileiro:

Primeira etapa

-          Ocupação portuguesa do litoral (Mata Atlântica) e parte úmida do Semi-Árido (Bahia).

-          Grandes proprietários (capitanias hereditárias).

-          Dominação e extermínio dos índios.

-          Importação de escravos.

-          Monoculturas de exportação (cana, café).

-          Expansão da fronteira com gado (Sertão e Caatinga).

-          Agricultor livre migrante (pequeno).

Segunda etapa

-          Cultura da borracha na Amazônia.

-          Colonização européia nas regiões serranas dos estados do Sul (pequenos agricultores).

-          Plano de substituição dos escravos no centro do país (mão de obra européia).

-          Agricultor livre migrante.

Terceira etapa

-          Incentivo governamental a “modernização conservadora” (uso de insumos, maquinaria).

-          Pacote agrícola vinculando o crédito ao uso de fertilizantes químicos, mecanização, pesticidas.

-          Êxodo rural, concentração fundiária.

-          Explosão populacional nos centros urbanos e nas regiões serranas de colonização européia.

Quarta etapa

-          Incentivo governamental a “agricultura familiar”.

-          Planejamento do uso dos recursos hídricos nas bacias hidrográficas.

-          Movimento popular de reforma agrária.

-          Imposição dos transgênicos.

-          Expectativa de novo êxodo rural e concentração fundiária.

 

 

 

Tipos de propriedade e indicadores sócio-ambientais.

 

Antes de apresentarmos as tabelas, é importante fazer:

 

Uma descrição dos itens de avaliação utilizados:

- Rentabilidade: rendimento econômico por unidade de produção (exemplo: R$/Fazenda/Ano);

- Sustentabilidade: independência em relação a insumos comprados;

- Relação com o ambiente: respeito a legislação ambiental em vigor;

- Emprego: proporção de emprego permanente por hectare, característica de cada sistema;

- Autonomia: postura do agricultor em defesa da soberania nacional.

 

Critérios relativos às notas:

- 10: desempenho plenamente satisfatório;

- 5: desempenho regular;

- 0: desempenho inadequado;

- 10/0: desempenho que pode variar abruptamente entre plenamente satisfatório e inadequado;

- 0/5/10: desempenho que oscila de acordo a visão e os interesses de cada agricultor individual.

 

 

Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo.

Zonas de terras agrícolas ricas, de ocupação mais antiga e industrializadas.

Tipo de agricultor

Renta-
bilidade

Sustenta-
bilidade

Relação c/ ambiente

Emprego

Auto-
nomia.

Latifúndio (cana) 5000 – 30000 ha.

10

0

0

0

0

Latifúndio (gado) 1000 – 3000 ha.

10

10

0

0

0

Pequeno produtor migrante 1-10 ha.

5

0

0

10

0

Pequeno/médio produtor terra boa 40-500 ha

10

5

5

5

0/5/10

Pequeno/médio produtor terra ruim 10-40 ha

5

5

10

10

5

Complexos agro-industriais 50000 - 500 000 ha

10

5

5/0

5/0

0/5/10

 

 

Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina.

Na zona dos campos: grande pecuária e grandes lavouras de monoculturas

Na zona da serra : pequenos produtores diversificados.

Tipo de agricultor

Renta-

bilidade

Sustenta-

bilidade

Relação c/ ambiente

Emprego

Auto-

nomia.

Latifúndio (gado) 5000 – 30000 ha

10

10

5

0

5

Latifúndio (soja) 5000 – 30000 ha

10

0

0

0

0

Pequeno produtor agroecológico 5-50 ha.

10

10

10

10

10

Pequeno produtor agroquímico 5-50 ha.

5

5

5

5

5

 

 

Semi-Árido.

Zona de ocupação antiga por pecuária extensiva.

Tipo de agricultor

Renta-

bilidade

Sustenta-

bilidade

Relação c/ ambiente

Emprego

Auto-
nomia.

Latifúndio (plantation, gado) 1000 ha.

10

0

0

0

0

Pequeno produtor migrante costeiro 1-10 ha.

5

5

0

10

0

Grande produtor gado Caatinga 500 ha.

5

5

0

0

0

Pequeno produtor da Caatinga 10-15 ha.

0

5

5

5

0

 

 

Amazônia

Zona sob ocupação predatória, com pouco solo agrícola e um ecossistema frágil.

Tipo de agricultor

Renta-

bilidade

Sustenta-
bilidade

Relação c/ ambiente

Emprego

Auto-
nomia.

Latifúndio industrial 10000-50000 ha.

10

0

0

0

0

Latifúndio de gado 10000-50000 ha.

5

10

0

0

0

Latifúndio de floresta 10000-50000 ha.

0/10

0/10

0/10

0/10

10/0

Extrativismo 10000-50000 ha.

5

10

10

10

10

Agricultura marginal 10-40 ha.

0

5

5/10

10

5

 

 

Cerrado

Ecossistema limitado pelo alumínio no solo, teve ocupação recente por grandes lavouras de soja.

Tipo de agricultor

Renta-

bilidade

Sustenta-

bilidade

Relação c/ ambiente

Emprego

Auto-

nomia.

Pequeno produtor 10-100 ha.

5

5

5

5

0

Grande produtor 500 ha.

5

0

0

0

0

Latifúndio pouco intensivo 5000 ha.

5

10

10

0

10

 

Zona de ocupação recente por monocultura intensiva.

Pequeno produtor de soja 100 ha.

10

0

0

5

0

Médio produtor de soja 300 ha.

10

0

0

0

0

Grande produtor de soja 1000-3000 ha.

10

0

0

0

0

Complexos agroindustriais 30000 ha.

10

0

0

10

0

 

 

Neo-agricultores.

Agricultores - experimentadores da nova agricultura.

Tipo de agricultor

Renta-

bilidade

Sustenta-

bilidade

Relação c/ ambiente

Emprego

Auto-
nomia.

Pequeno produtor 15 ha.

10/5

10

10

10

10

Médio produtor 50 ha.

10/5

10

10

10/0

10/0

Grande produtor 500-1000 ha.

10

10

10

0

5/0

 

 

Reforma Agrária.

Agricultores sob pressão de resultados imediatos.

Alguns destes agricultores experimentam a nova agricultura biológica.

Tipo de agricultor

Renta-

bilidade

Sustenta-

bilidade

Relação c/ ambiente

Emprego

Auto-

nomia.

Convencional agroquímico isolado

5

0

0

10

5

Orgânico/agroecológico articulado

10

10

10

10

10

 


Prof. Enrique Ortega & Aluno estagiário Cássio Martins.

DEA/FEA/Unicamp 26 de abril de 2002.