O projeto “Nós Propomos, Campinas-SP” mobilizou 243 estudantes de sete turmas do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca) em trabalhos de iniciação científica com foco na identificação de problemas locais e na apresentação de soluções. Com coordenação do professor de Geografia, Rodrigo Suess, os temas foram escolhidos a partir dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da agenda global da Organização das Nações Unidas (ONU), amparados pelo sub-tema “Por um Brasil justo, sustentável e solidário”.
Em sua segunda edição em Campinas, 35 trabalhos foram apresentados e avaliados entre os dias 26 e 27 de novembro. “A proposta é interessante, pois dá protagonismo aos estudantes e pode ser aplicada por várias disciplinas. O projeto surgiu no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (Igot) da Universidade de Lisboa, em 2011 e, atualmente, além de Portugal, está sendo desenvolvido na Colômbia, no México, no Peru, em Moçambique e na Espanha. No Brasil, 23 instituições públicas, como a Universidade de São Paulo (USP), já integram a rede”, afirma Suess.


Em torno da questão sobre “como a escola pode ensinar a sociedade pelo exemplo”, os alunos do Cotuca apresentaram trabalhos que começaram com a identificação do tema, passaram pelo fichamento e definição do projeto de pesquisa, pelo material escrito e, no final, pela exposição dos pôsteres. “É a construção de um conhecimento de metodologia científica que eles vão levar para o ensino superior”, completa o professor.
Entre os temas apresentados, estão o conforto climático no colégio e os impactos no aprendizado, a saúde mental no ambiente escolar, a qualidade do sono, a evasão escolar, a mediação de conflitos e o descarte de lixo eletrônico, por exemplo. “São assuntos que estão no dia a dia dos alunos”, destaca Suess.


O grupo da aluna de Mecatrônica Ana Júlia Barbosa da Costa escolheu como tema a baixa presença feminina nos cursos técnicos. “Pensamos em algo para incentivar as meninas. Eu mesma, antes de estudar no Cotuca, tinha medo de não ter garotas na minha sala. Um integrante do grupo relatou que, durante um evento externo de apresentação dos cursos, uma menina perguntou a ele se no Cotuca tinha alunas. Aproveitamos a oportunidade para abordar esse tema, e nossa proposta é promover mais apresentações externas sobre o colégio para mostrar que a presença das meninas é possível e necessária”, explicou.
Já o grupo do aluno Rômulo Alexandre, também do curso de Mecatrônica, escolheu resgatar a história dos coletivos negros e LGBTQIAPN+ que atuaram no Cotuca. “Os coletivos desapareceram com o tempo, por falta de integrantes, já que muitos alunos terminaram os cursos, e as pessoas foram esquecendo. Nosso trabalho pesquisou a importância deles no ambiente escolar e propôs seu retorno, já que notamos que comentários racistas e homofóbicos estão aumentando”, contou.
O engenheiro de alimentos Izael Gressoni Junior, professor do Cotuca, atuou como avaliador dos projetos e ressaltou que, entre os quesitos para um bom trabalho, além da metodologia científica usada, estão a implementação e a viabilidade do que está sendo proposto. “É importante observar a interface com os ambientes e setores do colégio. Um projeto como esse trabalha com a consciência crítica dos alunos e ajuda na questão de como eles vão atuar como cidadãos.”
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