Criatividade, informação e o pensar artístico estão entre os critérios de avaliação dos candidatos nas provas de Habilidades Específicas dos cursos de Artes Cênicas, Artes Visuais e Dança, do Instituto de Artes (IA) da Unicamp. No Vestibular 2026, os testes começaram na quarta-feira (3 de dezembro) e terminam nesta sexta-feira (6).

O chefe do Departamento de Artes Cênicas, Marcelo Lazzarato, destaca que, historicamente, as provas de habilidades específicas oferecem verdadeiras aulas. “É gratificante, o candidato sai com a sensação de aprendizado, de uma experiência vivida. Além da prova teórica, no caso das Cênicas, há as provas de palco, com três duplas de professores, com olhares e abordagens próprias, que levam o aluno a experimentar, estimulados por seis diferentes visões.”
Na prova escrita, específica sobre conhecimentos da linguagem teatral, a bibliografia incluiu as obras Materialidades na Dramaturgia Brasileira, de Marcos Nogueira Gomes; Anotações para uma dramaturgia de ator, de Eduardo Okamoto, e O que é teatro, de Fernando Peixoto, que puderam ser consultadas durante a avaliação.
Na prova de palco, o candidato tem de três a cinco minutos para apresentar o trecho de uma peça, a partir de uma lista prévia e bem diversificada, que vai de A Tempestade, de William Shakespeare, a Tio Vânia, de Anton Tchekhov, passando por A Falecida, de Nelson Rodrigues e Vaga Carne; Amores surdos, de Grace Passô. “A lista é muita variada, com diversidade de temas e linguagens. É importante ter o clássico, que oferece balizas fundamentais, e o contemporâneo, para debater o momento do agora. Recebemos alunos de várias regiões do país, que, às vezes, têm pouco contato com o teatro.”
O curso oferece 28 vagas, sendo que, na fase final do vestibular, 93 candidatos foram aprovados. A avaliação é realizada por oito professores. “Dois corrigem a prova escrita e seis avaliam as provas de palco. São olhares diferentes, o que é importante”, completa Lazzarato.
Expressão visual
No curso de Artes Visuais, a prova de Habilidades Específicas conta com uma prova teórica e uma de expressão plástica, além de entrevista com apresentação de portfólio. “São avaliações importantes para sabermos se o aluno terá condições de seguir no curso”, afirma Edson do Prado Pfutzenreuter, professor do IA e coordenador da prova.

“Na parte teórica, há questões sobre história da arte e interpretação de imagem. Na de expressão visual, originalmente, era exigido desenho de observação, mas isso foi se transformando. Hoje, a proposta é que o candidato se expresse a partir de um tema”, explica. Nesta edição, um artista brasileiro com forte presença no Instagram foi escolhido como tema. “Oferecemos um trabalho do artista e demos duas folhas em branco para que o aluno faça sua criação com a proposta de trabalhar com imagens que dialogam”, conta.
Segundo Pfutzenreuter, a avaliação leva em conta o elemento de subjetividade, mas há critérios como a resolução da proposta colocada e a tradução do conceito em formas, linhas e cores. “No final, quatro professores avaliam. Nem sempre é fácil, pois, às vezes, não há unanimidade.”
Na etapa final, os candidatos apresentam seus portfólios de obras originais. “Pode ser até mesmo um caderno de rascunhos ou desenhos, mas que demonstrem que o aluno tenha uma visão, um começo de pensamento visual. A entrevista também nos ajuda a entender a expectativa do candidato sobre o curso que estamos oferecendo”, completa. Nesta edição, são 33 vagas, sendo que 133 candidatos foram aprovados na segunda fase.
Expressão corporal
No curso de Dança, a prova de Habilidades Específicas é dividida em duas partes: na primeira, os candidatos participam de avaliações sobre técnicas de Dança contemporânea e de Dança do Brasil e, na segunda, uma prova de improvisação.
“Na prova de improvisação, o candidato tem que apresentar um estudo coreográfico de até dois minutos, apresentado em pequenos grupos, que dialogue com elementos orientados pelos professores durante essa prova”, explica a coordenadora da prova e docente do curso de graduação em Dança, Paula Caruso.

Entre alguns dos critérios para a avaliação da primeira parte, destaca a professora, estão “ alinhamento postural dinâmico, ritmo e musicalidade, prontidão corporal, noção de espaço, memória do movimento que foi ensinado e das sequências”. Na improvisação, um dos critérios importantes é a inventividade, além de outros. “Avaliamos se o estudo coreográfico é criativo e se ele se relaciona com o que foi trabalhado durante a prova”, completa Caruso.
A coordenadora ressalta que o curso tem, cada vez mais, destacado obras de artistas brasileiros e que, neste vestibular, o escolhido como referência para a criação do estudo coreográfico foi o artista Jaider Esbell (1979-2021), ativista indígena e um dos destaques da 34ª Bienal de Arte de São Paulo. “Nosso curso, que existe há 36 anos, valoriza a questão da brasilidade, da nossa cultura, antes até das políticas públicas da Universidade”, completa.
O curso de Dança oferece 25 vagas, sendo que 103 candidatos passaram para a segunda fase. “Tivemos uma boa presença esse ano, estamos bem felizes.”