OBJETIVOS:
1. Definir terras úmidas.
2. Identificar as partes de um ecossistema de terras úmidas.
3. Diferenciar entre terras úmidas de água doce e de água salgada, e entre várzea e pântano.
4. Listar os valores econômicos das terras úmidas.
As terras úmidas são áreas com inundações intermitentes. A vegetação que predomina é diferente daquelas áreas sem inundações. Quando os solos se saturam de água, o acesso ao oxigênio atmosférico se restringe e os solos se tornam anaeróbicos. As raízes comuns não podem respirar e a maior parte das plantas não podem viver aí.
As plantas de zonas úmidas têm desenvolvido uma adaptação especial. Algumas, como os mangues, levam ar a suas raízes através de tubos especiais; outros, como a borracheira negra, realizam parte de seu processo respiratório em ausência de ar. Fabricam um produto não oxidado que se transporta ao alto do tronco para ser oxidado. Os ciprestes possuem raízes especiais (chamadas joelhos) que crescem sobre a terra através das quais intercambiam pequenas quantidades de dióxido de carvão e oxigênio.
As terras úmidas de vegetação herbácea são denominadas várzeas, e pântanos são aquelas com árvores e arbustos. Existem muitos tipos de terras úmidas com vegetação variada. O tempo que dura a inundação (hidroperíodo), a profundidade da inundação e os nutrientes disponíveis determinam o tipo de vegetação.
Existem muitas controvérsias acerca do uso da terra e clima para manter os pântanos e as várzeas.
Surpreendentemente, muitos pântanos conservam a água, em especial aqueles que estão em regiões planas cercadas por montanhas, que recebem principalmente água de chuva. Mesmo que as plantas devam transpirar vapor de água dos seus tecidos para o ar, algumas árvores de turfa transpiram menos que outras plantas. Portanto, nos pântanos se perde menos água que em superfícies abertas de lagos. A adaptação destas plantas ajuda a manter a área úmida e conservar a água. A maior parte da água pode filtrar-se até depósitos ou rios de água subterrânea. Os esforços de drenar pântanos para economizar água são ações equivocadas.
Devido ao fato de que as terras úmidas recebem água de terras altas, elas atuam como filtros naturais que absorvem nutrientes, turbidez e microorganismos mortos. Estudos recentes demonstram que as águas servidas podem ser descartadas em várzeas e pântanos, proporcionando assim um tratamento natural da água. O crescimento nessas zonas de produtos úteis ao ser humano, como madeira e turfa, é sustentável, e se poupariam milhões de dólares em custos de tecnologia de tratamento. Algumas áreas têm tido este tipo de tratamento de controle de águas servidas por 40 anos ou mais, mas só agora se entende quão bem trabalha este sistema.
Como a energia é utilizada em várias adaptações especiais para a vida nas terras úmidas, a diversidade de espécies de plantas nestas áreas é menor que em uma floresta ordinária. A variedade de insetos, pássaros e outros animais, deve ser muito maior.
A Figura 13.1 mostra as principais características de um ecossistema pantanoso. Compare com a Figura 15.1 que é o diagrama de um bosque de terras altas. Pode-se ver que algumas características são similares, como folhas, talos, raízes, leito, evapo-transpiração, insetos e pássaros. O papel da água é diferente no pântano, já que neste causa sedimentos e turfa, acumulando e armazenando nutrientes e outras substâncias.
As terras úmidas cobertas temporariamente por água salgada têm uma vegetação característica. Em áreas congeladas durante o inverno, predominam as plantas de marisma. Em áreas mais tropicais não congeladas, as terras úmidas de água salgada desenvolvem manguesais (com árvores de água salgada). Na Figura 13.2 se expõem as principais características deste tipo de ecossistema. A água corre em forma de rios e as marés permitem a entrada e saída da água salgada. As mudanças de maré também intercambiam com mar aberto: peixes, plâncton e larvas de animais, e carregam consigo matéria orgânica, poluição e sedimentos. A energia das marés interatua com as plantas fazendo uma rede de canais para que a água possa fluir livremente.
A evaporação de água e a transpiração realizada pelas folhas, deixa sal no solo. As mudanças de maré e a água dos rios "lava" o sal do solo. Todavia, se o sal se acumula, as plantas ficam anãs ou morrem. Na Figura 13.2 a pressão do sal mata as plantas, produzindo erva morta e um armazenamento de turfa. As partículas pequenas de plantas mortas adicionam matéria orgânica que flui para dentro com a água dos rios e marés, e serve de alimento a mariscos de filtro-alimentação e ostras. As partículas grandes são alimento de caranguejos, caracóis e vermes.
As marismas, com várias espécies de pastos, se encontram ao longo da costa onde não existem ondas agressivas e a água é tranqüila. Na faixa entre ±30 graus de latitude, onde não existem geadas mortais, crescem também manguezais. As árvores dos manguezais possuem raízes muleta/ escora para sustentá-las sobre a água e em solo úmido. A partir das sementes flutuantes que conseguem aderir-se ao solo se desenvolverão novas plantas.
Quando as várzeas e os manguezais recebem nutrientes minerais, tendem a crescer rapidamente e mandar matéria orgânica aos estuários. Em outras situações podem receber matéria orgânica de drenagens de terra. O consumo da matéria orgânica devolve os nutrientes minerais ao estuário. Desta maneira as plantas e árvores atuam como amortizadores e mantém o balanço de nutrientes e matéria orgânica na água que as rodeia.
A vegetação das terras úmidas da costa ajudam reduzir a erosão durante inundações e marés tempestuosas. Plantas e árvores atuam como barreiras, reduzindo os danos produzidos pelos fortes ventos. Estes ecossistemas são muito importantes como "cinturões verdes" e como refúgios de vida selvagem, pois provêm áreas de refúgio para mamíferos e pássaros.
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