Aluna: Aline da Rocha Jaroszewski RA: 980590 e-mail: curitiba@fea.unicamp.br

Assunto: Ecologia Profunda por Carlos Antônio Fragoso Guimarães

"O novo paradigma (uma constelação de concepções, de valores, de percepções e de práticas compartilhados por uma comunidade e que estabelece uma visão particular da realidade) pode ser chamado de concebe o uma visão de mundo holística, que mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo 'ecológica' for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos)."

Fritjof Capra

"...O conjunto de problemas que se abatem sobre as pessoas e a natureza estão profundamente enlaçados com uma determinada forma de se compreender o mundo, uma percepção da realidade que é reducionista, simplista e inadequada e que não leva em conta processos sistêmicos (interrelacionados), psicológicos e orgânicos (ecológicos) presentes nos relacionamentos, no padrão de relação, entre pessoas, entre estas e a sociedade - e entre pessoas, sociedades e natureza -, e muito menos valores humanos e existenciais, formadores de referenciais umbilicalmente ligados à qualidade de vida da população mundial, já que fatores ou caracteres fenomenológicos não fazem parte do pensamento linear-racionalista, e muito menos se adequam em gráficos cartesianos."

(... )

"A forma tradicional de se compreender ou de se perceber a realidade - enfim, o paradigma subjacente a nossa visão de mundo-vem condicionando o comportamento humano ocidental - e todas as suas instituições - por mais de três séculos.

(...)

" De todos os cantos do planeta vemos os efeitos nocivos da forma materialista (filosofia altamente calculada para fazer parte dos hábitos de consumo da população) e pretensamente racional (esquecendo-se da sabedoria organísmica e intuitiva) de ver o mundo, e os efeitos são:

o crescimento desordenado da população mundial, especialmente entre os países mais pobres (entre os quais se inclui o Brasil da era Neo-Liberal do vaidoso neo-imperador FHC), que é a resultante direta do crescimento das dificuldades sociais que impedem a educação básica que muito auxiliaria no planejamento familiar, aliás problema que aponta para o descaso que nossos políticos têm em pensar em termos sistêmicos e a longo prazo, e fazem da educação, como um todo, na prática, uma temática supérflua diante do ideal, basicamente industrial, de que o crescimento e riqueza de uma nação são medidos pelo crescimento linear da economia, que se concentra nas mãos de poucos, e de que um alto PIB é sinônimo de bem-estar social. Ora, sendo assim basta que a educação básica inculque os valores e os hábitos de um mundo industrial.

A escassez de recursos, a bizarra e surreal distribuição de renda e a degradação do meio ambiente a fim de saciar a ânsia de crescimento econômico dos empresários, e/ou - por meio da exploração irracional dos recursos humanos e naturais"

(...)

"Existem soluções viáveis para os principais problemas sociais, mas o grande nó da questão está em mudarmos a nossa percepção individualista e egoísta e nossos valores burgueses em prol de um desenvolvimento sustentável, o que atinge em cheio a estrutura do poder e do sistema político-econômico de boa parte dos países,..."

(...)

"E, de fato, começamos a ver, cada vez mais amplamente em todo o mundo, principalmente na Europa, uma gradual mas inveitável mudança de paradigma na ciência e na sociedade, a partir das pessoas comuns,..."

(...)

"A partir de um ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis são as soluções "sustentáveis", em que uma sociedade satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras, ..."

(...)

"..."Portanto, a Ecologia Profunda faz perguntas profundas a respeito dos próprios fundamentos da nossa visão de mundo e do nosso modo de vida modernos, científicos, industriais, orientados para o

crescimento e materialistas. Ela questiona todo esse paradigma com base numa perspectiva ecológica: a partir da perspectiva de nossos relacionamentos uns com os outros, com as gerações futuras e com a teia da vida da qual somos parte" (Capra, 1997, página 26)."

Imediata & Mente

 

Imediato. Hoje em dia tudo é imediato, tudo é para agora, se já não foi para ontem...De onde vem essa pressa? O que importa é o que é mensurável, prático, praticamente instantâneo. Faça tudo o que puder pelo crescimento econômico pois, ele é a justificativa de tudo, de todas as ações e decisões. Produza, produza e produza, venda e venda, lucro e lucro, faça o país crescer !!! Tudo se reduz a isso!... Ei?!...Você, aí! Alguém perguntou como foi seu dia hoje?

De uns tempos (no Brasil, talvez, desde o milagre econômico nos anos 70, com seu apelo positivista de ordem e progresso) para cá, há uma super (e única) valorização das coisas que fornecem resultado em pouco tempo, só conseguimos dar valor ao que nos salta aos olhos e nosso parâmetro de bom ou ruim, para o desenvolvimento de um país, se resume ao tal crescimento econômico (que só é "sentido "por um uma fatia infinitesimalmente pequena da população). Justificamos as mazelas socias, a degradação ambiental e outros, como conseqüência inevitável desse crescimento, que acreditamos ser ilimitado.

Segundo o texto, essa condição atual reflete um conjunto de concepções, valores e percepções que compartilhamos e que nos dá uma certa visão da realidade, ou seja, reflete o paradigma que aceitamos. Este, não leva em consideração o relacionamento entre pessoas, sociedade e o meio que as cerca. Para reverter essa situação, é necessário buscar um outro paradigma, que apresente uma visão mais completa e ampla, que perceba o mundo como um todo integrado. A denominação que esse paradigma recebe é visão holística, ou ecológica pois, reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, numa analogia a um organismo vivo.

Valendo-se dessa nova visão, a análise dos problemas que afetam a sociedade de modo geral remete as soluções chamadas sustentáveis. São soluções que permitem que as necessidades da sociedade presente sejam supridas, mas garantindo que as das sociedades futuras também sejam.

A Engenharia Ecológica, que tem como proposta estabelecer uma relação mutualista entre os ecossistemas, pode ser considerada como um exemplo, uma conseqüência da aplicação da visão holística. Com o intuito de obter diretrizes visando o desenvolvimento sustentável, baseia-se na idéia de Emergia, outro conceito que também tem características dessa nova visão. A Emergia seria a energia solar necessária para produzir um determinado produto, é um valor energético que considera todo o trabalho dispendido durante a produção. É um conceito abrange todo um processo produtivo e interligado, dando um valor realmente real..

Futuramente, acredito ser natural as pessoas perceberem tudo a sua volta de forma a reconhecer as interligações presentes e se colocando como parte fundamental do mundo, abandonando, assim, a posição de dominador desse ecossistema. O pensamento ecológico, deve ser encarado como qualquer expressão ou atitude que siga essa linha de raciocínio. A adoção total dessa forma de percepção acabará "desembocando" numa nova ética, em novos valores, que governarão nossas ações e decisões.

Como foi seu dia hoje?