AUTOSUFICIÊNCIA ALIMENTAR

Aluna: Daniela Maira Abe    RA: 980926 e-mail: dani@fea.unicamp.br

 

Autor: Francisco Menezes

 

Entre os problemas que atingem a segurança alimentar e nutricional do Brasil estão : a ameaça da soberania alimentar do país devido ao crescimento das importações de alimentos, a falta de sustentabilidade do sistema alimentar, e a imposição de um padrão inadequado neste sistema que ameaça valores culturais de grande riqueza nutricional da nossa alimentação.

A disponibilidade interna de alimentos de nosso país é satisfatória para a Segurança Alimentar, isto é, há oferta suficiente da alimentos a fim de que seja atendido o consumo necessário dos cidadãos. Apesar disso, percebemos ainda um quadro de insegurança alimentar: desnutrição, indigência, fome, altos índices de mortalidade infantil e na infância. Isto se deve principalmente à incapacidade de acesso da população para adquirir alimentos que necessitam, assim como à falta de acesso aos bens de produção, à falta de acesso aos serviços públicos e a falta de acesso à informação.

Atualmente, na política de transformação do Brasil de grande exportador para importadores de alimentos e outros produtos agrícolas e agro-industriais, existem duas explicações que a justificam. Uma delas afirma que para um país poder participar do comércio internacional, nos atuais contextos da globalização, é preciso que este atue tanto como exportador como importador. Outra justificativa se refere ao princípio das vantagens comparativas, o que significa importar sempre que os custos domésticos são superiores aos preços das commodities internacionais. 

O que se observa na atualidade é a crescente taxa média anual do valor das importações de produtos agrícolas, sempre superior à taxa de exportações. O valor total exportado ainda supera o valor total importado, mas é preocupante a alta velocidade de crescimento das importações em comparação com a velocidade de crescimento das exportações.

Dos produtos agroalimentares em que podemos perceber um alto crescimento nas importações, se destaca o trigo. Devido ao fim do subsídio à produção interna, em 1996 observou-se um gasto de US$ 934 milhões. Os estoques mundiais vêm caindo a níveis bastante baixos, fazendo com que os preços se elevem e permitindo prever um gasto ainda maior com as importações do produto pelo país.

A conseqüência da substituição da produção interna pelas importações está na desestruturação da capacidade de produção agrícola e destruição da auto-suficiência. A principal conseqüência é a exclusão dos pequenos agricultores familiares.

Para alterar a atual situação, a única solução seria uma revisão profunda nas políticas agrícolas. De acordo com o autor, atingir a soberania alimentar do país é possível se for colocada como prioridade a agricultura de base familiar (devido aos baixos custos, assegurando de forma estável soberania) e fortalecendo um padrão alimentar respeitando a cultura do nosso povo. 

De acordo com a FAO, um país com desenvolvimento sustentável é aquele que ordena e conserva a base de recursos naturais e ordena a mudança tecnológica e institucional. O Brasil não se inclui neste conceito já que não garante satisfação das necessidades humanas para o presente nem para o futuro, devido à prática insustentável destes recursos.