Aluna: Lucila Correia Garcia-981582

COMENTÁRIO :

O confronto entre a capacidade de pesquisa na área de ciências biológicas do Brasil e os dados no número de espécies extintas do país mostram a complexidade do problema da perda da biodiversidade.

"O setor da Agroindústria responde por cerca de 40% do PIB brasileiro, o setor florestal responde por 4% do PIB e o setor pesqueiro responde por 1% do PIB. Produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras,(...). As atividades de extrativismo florestal e pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa vegetal (...) responde por 17% da matriz energética nacional. (...)"

Para aqueles que ainda acreditam que a perda da biodiversidade não é um problema gravíssimo que estamos enfrentando, esse parágrafo é esclarecedor da importância da manutenção da variabilidade das espécies.

"O potencial de utilização sustentável da biodiversidade é fruto da disponibilidade de matéria prima, tecnologia e mercado. (...) A exploração farmacológica da biodiversidade brasileira está em seu início, e julgar pelos resultados obtidos em outros países, acredita-se que exista um vasto campo para a produção de fármacos ainda desconhecidos."

A utilização comercial de espécies é um fator que ajuda na conscientização da preservação destas espécies. Contudo, esse uso deve ser realizado de maneira consciente, para que esse aspecto da divulgação das espécies "úteis" na farmacologia não se torne um problema de extinção.

"Apesar dessa riquesa de espécies nativas, a maior parte de nossas atividades econômicas está baseada em espécies exóticas: nossa agricultura está baseada na cana-de-açúcar proveniente da Nova Guiné, na café da Etiópia, no arroz das Filipinas, na soja da China, no cacau do México, na laranja da China, no trigo da Ásia Menor, etc.;nossa silvicultura depende de capins Africanos, bovinos da Índia, (...);nossa psicultura depende de carpas da China e tilápias da África Oriental; nossa apicultura esstá baseada em variedades da abelha-europa provenientes da Europa e da África Tropical, e assim por diante. (...)"

Este parágrafo mostra o quão ineficiente e burocrático é nosso sistema de administração das atividades mencionadas no texto(IBAMA, Ministério da Agricultura). Fatos históricos, como a colonização por exploração sofrida pelo Brasil não podem mais ser utilizados como justificativas para o uso inadequado das terras brasileiras.

Porque o uso do enorme potencial agrícola brasileiro não se relaciona com espécies nacionais? O problema não é patriotismo ou não, mas sim aproveitamento dos recursos (energéticos, inclusive) que o nosso país nos oferece.

O acesso a novas técnicas de melhoramento das atividades agropecuárias, silvi e psiculturais é fundamental para uma mudança nos hábitos brasileiros de produção no campo.

Por último, gostaria de enfatizar que a insistência na preocupação da perda da biodiversidade, apesar de ser um fato considerado sabido por todos, tem sua razão de ser: a lista oficial da fauna ameaçada pelo IBAMA relaciona 100 espécies totalmente extintas, e mais de 100 espécies em extinção. Portanto, esse assunto é de grande importância e urgência.

COMENTÁRIO DOS SITES RESUMIDOS

(A quantidade de informações contidas nos sites encontrados, como o Greenpeace, WWF, WCMC (World Conservation Monitoring Center), me obrigou a escolher uma região em particular para o debate da biodiversidade. Como o site da Base de Dados Tropicais (BDT) pareceu-me muito bom, e continha muitas informações sobre a região Sul e Sudeste - principalmente a Mata Atlântica, me pareceu conveniente escolhê-la para meu trabalho.)

A melhor definição para a biodiversidade foi encontrada na BDT, em particular num artigo do Workshop realizado pelo Conservation International do Brasil, Fundação Biodiversitas, Fundação S.O.S. Mata Atlântica e Fundação André Tosello, em 1996 . O artigo chama-se "A Problemática da Biodiversidade", e define (resumidamente) biodiversidade como:

" Diversidade Biológica, (...), refere-se à variedade de vida no planeta terra, (...) ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas (...) à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias (biológicas); e inclui variabilidade ao nível local (...), complementaridade biológica entre habitats (...) e variabilidade entre paisagens (...). Biodiversidade inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes.

(...) é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. A biodiversidade é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica indústria da biotecnologia. As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida.(...)"

É interessante notarmos, analisando os mapas das áreas de alta diversidade de espécies e o de remanescentes florestais, que as áreas onde mais existem variedades de fauna e flora estão sendo nitidamente dizimadas.

Parece-me que os incentivos governamentais não estão fazendo efeito algum, já que os índices de desmatamento florestal na região Sul e Sudeste se mantiveram estáveis desde 1996.

O parágrafo segundo do item dois do artigo("O problema da perda da biodiversidade") expõe as causas da problemática. No entanto, uma causa crucial foi amenizada, quando se refere ao comportamento do Homem em relação ao meio ambiente: "Exploração excessiva de espécies de plantas e animais" e "Contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes". Acredito que a grande causa da perda da biodiversidade são as ações prepotentes do Homem. O "ser supremo" se acha no direito de governar o mundo, ignorando quase que totalmente a existência de demais espécies tão importantes quanto a dele. A solução para a dizimação das espécies está na reeducação do Homem. Precisamos, além de tomar medidas urgentes, como as que estão no texto, nos preocupar com as gerações futuras.

É nesse contexto que se encaixa o novo paradigma internacional da Biodiversidade: a utilização sustentável. Outra nova tendência é a preocupação com os microorganismos, fungos e insetos.

O Brasil, representando um gigante em variedades biológicas e biotecnológicas, deveria desempenhar um papel mais ativo na preocupação internacional com o meio ambiente. Apesar de ter sediado o Primeiro Congresso Internacional de Biodiversidade em 1992 (RIO), ele possui uma grande fama por não cuidar de suas relíquias internas, tais como a Floresta Amazônica, o Pantanal, etc.... No mapa que mostra os remanescentes florestais daquela região, vemos que realmente a floresta está desaparecendo, e nada está sendo feito.

Esse problema parece ser sempre discutido e não resolvido. É fundamental que as atividades de suporte à pesquisa e treinamento nas áreas básicas da biologia sejam aprimoradas e contínuas, permitindo criar e sustentar as bases que darão suporte para a aplicação das novas tecnologias e, ao mesmo tempo, criarão as oportunidades para a aplicação e resolução de problemas tecnológicos relacionados com a biodiversidade das espécies relevantes. Só assim a ciência poderá servir de solução para o problema da perda de biodiversidade que enfrentamos.