O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, disse nesta quarta-feira (1), que a decisão de romper o convênio com o Instituto Tecnológico Technion, de Israel, foi um apelo pela paz na Faixa de Gaza, onde o conflito iniciado em outubro de 2023 já provocou milhares de mortes e desencadeou uma crise humanitária que atinge mais de dois milhões de pessoas.
Segundo o reitor, a decisão endossada pelos integrantes do Conselho Universitário (Consu) – que formam a instância máxima de deliberação da Universidade – é resultado de um longo processo de discussões, que se deram nas diferentes instâncias internas da comunidade acadêmica. “A Reitoria, como preconiza o processo, procedeu o encaminhamento da rescisão, como queria a comunidade”, argumentou. “Tratou-se de uma posição política, com a forte intenção de preservar os princípios humanitários”, acrescentou o reitor.

Montagner diz que a rescisão não tem relação com a capacidade técnica da Technion, considerada, segundo ele, uma das mais importantes instituições de ensino superior do mundo. “Não colocamos a política na frente da ciência ou da tecnologia, mas apenas nos posicionamos dizendo: precisamos parar com isso. É necessário que as instituições assumam, definitivamente, que não dá mais para assistirmos episódios como os verificados no conflito”, argumenta o reitor.
No despacho lido na reunião do Consu da última terça-feira (30), o reitor informa que a Unicamp vem acompanhando com atenção e preocupação o cenário internacional com relação à escalada das ações do governo israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza. “A situação se deteriorou de tal forma quer as violações aos direitos humanos e à dignidade da população palestina se transformaram em uma constante inaceitável”.
Durante grande parte da terça-feira, estudantes acamparam nas imediações da Reitoria, numa vigília pelo fim do acordo de cooperação técnica com o Instituto israelense.
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