
A 22ª edição do Ciência e Arte nas Férias (CAF 2026) começou nessa quarta-feira (7) e conta com a participação de 124 estudantes do ensino médio de 33 escolas públicas de Campinas, Valinhos, Vinhedo, Jaguariúna, Limeira e Piracicaba. Esta quinta-feira (8) marca o início dos projetos de pesquisa, que resultarão na apresentação de um pôster no encerramento do projeto, em 28 de janeiro.
De 7 a 28 de janeiro, os estudantes estarão envolvidos em 31 projetos de pesquisa e participarão de 12 oficinas práticas em diferentes áreas do conhecimento. “Os projetos são pesquisas curtas que serão apresentadas pelos jovens no formato de pôster no encerramento do programa. As oficinas são atividades mais ‘mão na massa’: eles participam em grupo, vão para laboratórios, são atividades mais dinâmicas”, explicou a supervisora do CAF, Mirian Marcançola.
O objetivo é promover o contato dos alunos com a vida acadêmica, o método científico e a Unicamp. Além disso, visa despertar jovens talentos para a pesquisa científica e atividades artísticas, ao envolvê-los desde cedo em atividades práticas relacionadas aos desafios atuais da ciência.
“Os alunos vêm para a Unicamp para aprender de forma prática. Eles visitam laboratórios e conhecem professores e alunos de graduação, e aí conseguem tomar uma decisão sobre o que gostam ou não [em relação aos cursos superiores]. Nossa expectativa é que eles voltem como alunos da Universidade”, afirmou Marcançola.
Aprender matemática de forma lúdica
Nesta quinta-feira (8), os grupos (formados por quatro alunos cada um) conheceram os professores orientadores e monitores responsáveis por cada projeto de pesquisa. O docente Giuliano Zugliani coordena, no Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC), o projeto “Laboratório de Matemática: construindo objetos e jogos”.

“Achamos que, com atividades um pouco mais lúdicas, eles tendem a ver a pesquisa em matemática de uma maneira diferente, e da maneira como ela é de verdade”, disse o docente, apoiado pelos monitores Isabelli Ferreira, Clayton Alves e Maísa Richieri.
Uma das propostas do primeiro dia de projeto foi a apresentação do Teorema das Quatro Cores, que diz que qualquer mapa pode ser colorido com quatro cores, de modo que dois países que fazem fronteira não tenham a mesma cor. “É um teorema muito difícil de ser demonstrado, mas que não impede que ele seja entendido em uma atividade.”
Guilherme de Freitas, Kemily Martins e Beatriz Siqueira são estudantes de instituições de Valinhos que escolheram participar desse projeto de pesquisa. Junto com Ruan Araújo, aluno de Campinas, eles compartilham o interesse em aprofundar seus conhecimentos matemáticos.
Os jovens destacam a oportunidade de aproveitar o período de férias de forma produtiva. “Acho que vai ser muito proveitoso, porque não vamos usar o mesmo método da escola”, disse Martins.
Esse é o segundo ano consecutivo que Freitas participa do CAF. “Ano passado, participei do projeto de xilogravura, achei bem legal.”
Siqueira contou que tem afinidade com o estudo da geometria. “Espero que esse projeto me ajude a entender outras partes da matemática e expandir meu conhecimento”, disse. Essa também é a expectativa de Araújo, que tem participado das Olimpíadas de Matemática do Estado de São Paulo (OMASP).
Xilogravura na prática
Outro projeto de pesquisa, coordenado pelo professor do Instituto de Artes (IA) Fernando Broggiato é o “Xiii… O quê? Ah, gravura em madeira!”, focado no aprendizado prático da xilogravura (em que as imagens são feitas na madeira e impressas no papel).
“É uma introdução das alunas ao IA, ao ambiente de um ateliê de gravura e à prática artística. Vai ser uma atividade em que elas poderão fazer sua própria produção”, contou Broggiato, auxiliado pelos monitores Isabelle Germano, Vinicius Egidio e Danilo Perillo.

O grupo desse projeto é composto por quatro alunas. Sabrina de Oliveira e Lívia Souza cursam o 2º ano do Ensino Médio em escolas campineiras. Conforme Oliveira, que pretende estudar no IA no futuro, o projeto de pesquisa é uma oportunidade de descobrir novos interesses dentro das artes. “Eu achei o projeto muito interessante e diferente, eu nunca tinha visto em outro lugar.”
Souza disse ter interesse especial nas artes plásticas e está curiosa para saber mais sobre a xilogravura. “Eu gosto muito das áreas de humanas também, então quero muito participar das oficinas de geopolítica e de sociologia”, contou.
FOTO DE CAPA
