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Atualidades

Prova de Redação do Vestibular Indígena propõe temas sobre inteligência artificial

A lista de aprovados em primeira chamada será divulgada no dia 2 de fevereiro

A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) aplicou, no último domingo, 11 de janeiro, a prova do Vestibular Indígena 2026, unificado entre Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Unicamp. No total, 1.098 estudantes realizaram a prova, que foi aplicada em cinco cidades do país: Campinas (SP), Recife (PE), Santarém (PA), São Gabriel da Cachoeira (AM) e Tabatinga (AM). A Comvest registrou uma ligeira queda nos índices de abstenção em relação à edição anterior, que diminuiu de 46,8% para 46,1% no Vestibular 2026. Dos 2.037 inscritos, 941 não compareceram para realizar a prova. O menor índice de ausentes foi registrado na cidade de São Gabriel da Cachoeira, com a abstenção de 40,5%, abaixo da média geral. Em Campinas, realizaram a prova 137 candidatos (abstenção de 51,8%). Na página da Comvest, é possível consultar a tabela com os índices de todas as cidades, além da prova aplicada e do gabarito das questões.

O exame foi composto de 50 questões de múltipla escolha, da seguinte maneira: linguagens e códigos (14 questões); ciências da natureza (12 questões); matemática (12 questões); ciências humanas (12 questões); e de uma redação. A prova de Redação trouxe duas propostas para que os estudantes escolhessem uma delas a ser realizada, ambas envolvendo uma reflexão sobre inteligência artificial. A primeira proposta pedia aos candidatos que elaborassem um manifesto reivindicando a participação indígena no desenvolvimento de uma IA generativa. Já a segunda solicitava que os estudantes escrevessem um relato em seu diário de campo como um(a) jovem envolvido(a) em um projeto de pesquisa para a construção de uma IA voltada à preservação de uma língua indígena.

A estudante Bruna Cardoso, de 19 anos, viajou um dia inteiro de barco, saindo do município amazonense de Barcelos, para prestar o vestibular em São Gabriel da Cachoeira. Para ela, ser aprovada na Unicamp é um desafio e ao mesmo tempo um sonho. “Me preparei bastante para a prova e estava até esperando que fosse cobrado um tema atual como esse para a redação. Eu imaginei algo relacionado ao clima e desmatamento ou exatamente alguma coisa envolvendo IA.” A estudante está prestando o vestibular para dois cursos da área da saúde: Enfermagem e Nutrição.

O diretor da Comvest, José Alves de Feitas Neto, esteve pela primeira vez em São Gabriel da Cachoeira, local que registrou o maior número de inscritos na edição deste ano do Vestibular Indígena. Após visitar comunidades indígenas, escolas e locais em que a Unicamp aplica as provas, Alves comentou sobre os desafios do exame. “Quando o Vestibular Indígena foi criado, uma das preocupações da Unicamp era chegar a localidades em que outras universidades não realizavam a prova. São Gabriel da Cachoeira era um desses locais. Nesse sentido, minha primeira vez aqui é uma oportunidade única de dialogar com estudantes e professores, ouvir um pouco das demandas a partir da realidade dos estudantes daqui e entender os desafios do ponto de vista da ampliação do acesso à prova e das parcerias que eventualmente possam ser estabelecidas nesse sentido”, disse.

Para organizar os exames fora do estado de São Paulo, a Comvest conta com a estrutura de escolas e universidades locais, das quais utiliza os espaços físicos, além de fazer parecerias com as equipes para a aplicação das provas. Em alguns lugares, muitas pessoas que trabalham na realização do exame são os próprios alunos da Unicamp que se encontram de férias nas suas cidades, como é o caso de São Gabriel da Cachoeira. Boa parte das equipes que trabalharam nas duas escolas utilizadas para aplicação da prova do Vestibular Indígena 2026 foi formada por estudantes de diferentes cursos da Unicamp. Nalberth Barreto, da etnia Baré, aluno do curso de Licenciatura em História, é natural de São Gabriel da Cachoeira e atuou pela terceira vez no exame.

“É gratificante estar aqui porque há quatro anos eu estava prestando vestibular e consegui passar apenas com uma mala e um sonho. Atravessei praticamente um continente para chegar a Campinas. Estar aqui hoje me faz lembrar do quanto foi difícil e do quanto as coisas mudaram, pois vamos para a universidade não apenas para fazer uma graduação, mas para ampliar nosso conhecimento, com muitas oportunidades. Hoje tenho outra visão para trazer à minha comunidade e espero que essa geração que está prestando o vestibular indígena traga novos debates e novas perspectivas para a universidade”, comentou Nalberth.

Divulgação dos aprovados

A Comvest irá divulgar a primeira chamada de convocados para matrícula no dia 2 de fevereiro de 2026, em sua página eletrônica. A matrícula dos convocados nessa chamada deverá ser realizada de maneira online, das 9h de 3 de fevereiro às 17h de 4 de fevereiro, pela internet, na página da Comvest. A segunda chamada será divulgada em 9 de fevereiro. Estão previstas até cinco chamadas. 

Na UFSCar, essa é a 19ª edição da modalidade de ingresso para estudantes indígenas, e na Unicamp, a oitava. A Unicamp oferece 130 vagas, distribuídas em todos os cursos da Universidade, e a UFSCar oferece até duas vagas por curso em 65 opções de graduação.

Lançamento ocorreu em 9 de janeiro no espaço cultural Maloca dos Saberes
Lançamento do livro “Redações 2026” ocorreu em 9 de janeiro no espaço cultural Maloca dos Saberes

Livro ‘Redações 2026’ lançado no Amazonas

Além da aplicação da prova do Vestibular Indígena 2026, outra atividade realizada pela equipe da Comvest em São Gabriel da Cachoeira foi o lançamento do livro que reúne as melhores redações do Vestibular Unicamp e do Vestibular Indígena. Publicada pela Editora da Unicamp em parceria com a Comvest, a obra inclui textos da última edição do exame, selecionados e organizados por professores da Unicamp.

O evento aconteceu em 9 de janeiro, no espaço cultural Maloca dos Saberes, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), e reuniu dezenas de estudantes e professores da região. O diretor da Comvest fez a entrega de alguns exemplares para que fiquem nas bibliotecas das escolas do município e das comunidades indígenas ribeirinhas. Uma das estudantes presentes, Nayra Stephany Cardoso, de 18 anos, contou que chegou cedo ao evento para conseguir um exemplar do livro. “Estou prestando o vestibular indígena e fiquei sabendo da entrega de exemplares. Como queria muito um livro, cheguei cedo para garantir o meu. Estou tentando entrar no curso de Artes Cênicas e espero conseguir passar na Unicamp”, disse a vestibulanda.

Foto de capa:

Vestibular Indígena aconteceu no último domingo, dia 11 de janeiro
No total, 1.098 estudantes realizaram a prova, que foi aplicada em cinco cidades do país
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