Memória Científica
entrevista Avelino de Oliveira
10/03/2016 - 16:25
- Text:Divulgação RTV
- Images:Divulgação
- Images Editor:

Foi pelas mãos da avó, uma costureira da alta-sociedade paulistana, que o pequeno Avelino, num esforço de gigante, se dependurou incontáveis vezes no “poleiro” do Teatro Municipal para assistir às inúmeras apresentações promovidas pela Sociedade de Cultura Artística de São Paulo. Foi também esta mesma avó, incompreendida, que ralhava com o pequeno quando este anunciava a existência de manchas nas folhas de suas belas samambaias: “Menino! Tanta folha bonita e você vai logo olhar as manchas?” Ela não imaginava que o garoto se tornaria, anos mais tarde, agrônomo e aprendiz do respeitado Mestre Costa, o doutor Álvaro Santos Costa, na Seção de Virologia do conceituado Instituto Agronômico de Campinas e, anos mais tarde, seria um dos primeiros docentes a integrar e implantar o Departamento de Bioquímica do Instituto de Biologia da Unicamp.
Assim, para seguir o curso da vida, o professor Avelino Rodrigues de Oliveira “pisou em duas canoas”, expressão que ele mesmo gosta de usar para se referir ao amor à biologia e a pintura. A canoa da ciência o levou longe, remando forte nos anos de 1970 e 1980, atracando nas Universidades de Ohio, New Jersey e da Califórnia. Remou também em direção a Portugal, onde coordenou a missão científica para implantação de intercâmbio Brasil-Portugal para pesquisadores das Ciências Biológicas. Contudo, como que em segredo, levou a reboque a canoa das artes, para onde nos anos de 1990, definitivamente se lançou, quando a longa viagem pelo rio da ciência findava.
Essas são algumas passagens da entrevista concedida pelo docente ao programa Memória Científica, produzido pela RTV-Unicamp. A entrevista, realizada pelo sociólogo e diretor do programa, Marcelo Rocco, integra a série que a RTV preparou para as comemorações do cinquentenário da Unicamp que se estendem ao longo desse ano.
Comentários
Entrevista Dr Avelino R de Oliveira - Memórias UNICAMP 50 yrs
Acabei de assistir a entrevista-documentário feito com o meu estimado e admirado colega (Eng Agrônomo), irmão (Filho do mesmo pai na vida científica: Dr. Álvaro Santos Costa) e amigo (rimos e choramos juntos as observações e fatos alegres e tristes que nossos caminhos, na ciência da fitovirologia, nos levaram a nos encontrar).
Dr Avelino Rodrigues de Oliveira, nessa marcante, preciosa e maravilhosa entrevista, contou, relatou, descreveu, ilustrou e registrou historicamente, tudo e mais um pouco sobre o que era, como foi e como está a ciência da fitovirologia nos dois principais e mais reconhecidos institutos de pesquisa pública, em ciências agrícolas, do nosso país. Permita-me abrir um parenteses aqui para expressar minha observação a esse respeito do "como era-foi-está....e.....continuará...será....?": No início do século passado, um problema fitossanitário era motivo para construção de institutos de pesquisa para abordagem do problema; enquanto que agora, no início deste século, um problema fitossanitário corre o risco de ficar sem solução; produtores e trabalhadores no agronegócio ficarem no prejuízo, pela falta de contratação/reposição de pelo menos um pesquisador científico- para não dizer vários ou equipe, como eram os trabalhos de pesquisa na ex-Seção de Virologia, na época do Dr Avelino. Nas últimas décadas, a importância dos pesquisadores científicos (cientistas ou "sacerdotes", como denominou Dr Avelino), os quais ainda lutam para a continuidade de suas pesquisas, em diferentes áreas da produção agrícola, tem sido buscada e conquistada, através do trabalho, muitas vezes solitário, motivado pela força da fé, lei e persistência. Alunos da graduação e pós-graduação, com desejo de trabalhar na pesquisa científica, ficam frustrados e muitos até desistem de trabalhar como cientistas devido a longa espera por limitadas vagas, nas raras (10-10 anos???) e distantes aberturas de concurso para pesquisador científico nos Institutos de Pesquisa pública.
Tenho um decalque no vidro de traz do meu carro com a expressão da minha crença, que está claramente confirmada nos relatos/memórias do Dr Avelino:
Mais ciência, menos dependência!
Mais educação, menos prisão!
Mais escola, menos esmola!
Durante os 57 minutos da entrevista, confesso que sorri e chorei, junto com Dr Avelino. Saúde e vida longa ao entrevistado e parabéns à equipe de reportagem.
Obrigado e abraços
José Alberto Caram de Souza Dias (Eng. Agr. PhD)
Pesquisador Científico - Virologista
Centro de Fitossanidade - Intituto Agronômico de Campinas.
Comentário sobre a entrevista do Dr. Avelino R. de Oliveira
Avelino, eu fiquei muito feliz ao ver esta merecida reportagem/entrevista sobre parte de sua vida. Você sempre foi um bom contador de histórias. Como professor, comecei minhas aulas na Unicamp ao seu lado, para o curso de Ciências Biológicas. Naquela época usávamos muito o quadro negro e uma espécie de cavalete com folhas de papel do tamanho de um pôster que continham parte de nossas aulas. Seus “seminários da fome” (na hora do almoço) marcaram muito o Departamento de Bioquímica e os seus alunos, muitos dos quais, hoje são pesquisadores de renome, no Brasil e no exterior. Muito obrigado pelas longas conversas, conselhos, bom senso e agradável convivência, que trago sempre comigo. Aqueles cavaletes que usávamos nas aulas certamente já se relacionavam com a sua outra canoa, a da pintura. Sobre esta canoa continuamos remando juntos todos os dias; basta eu entrar na sala de meu apartamento. Um forte abraço.
Comentário à entrevista do Prof. Avelino
Caro Prof. Avelino,
Inicialmente, eu gostaria de parabenizá-lo por esse maravilhoso e emocionante depoimento, um relato riquíssimo e comovente de uma vida toda dedicada à ciência, à educação e às artes. Não deu para ficar indiferente, e não teve como eu não me emocionar de verdade ao ouvi-lo falar. Como ex-aluno seu, que fui durante muitos anos, mas ainda como um discípulo seu, gostaria de dizer que eu me orgulho muito de ter sido seu aluno, orientado e amigo, praticamente um filho. E é, portanto, com imenso prazer e alegria que expresso aqui a minha gratidão por todos os ensinamentos que recebi do senhor desde que comecei a frequentar o seu laboratório na Unicamp, em 1986. Devo dizer, que a minha vida acadêmica e de cientista começou a tomar forma justamente naquela manhã em que o senhor dava aula, quando eu fiz uma pergunta idiota e a classe inteira riu. Ao final da aula, o senhor me chamou e perguntou: “Celso, você não quer estagiar no meu laboratório? ”. Além da alegre surpresa, mas que sorte eu tive nesse dia! Obrigado por ter me dado a oportunidade de descobrir a ciência além da biologia e tudo o mais além da ciência, e por ter me ajudado, tantas e tantas vezes, a seguir em frente. Um forte abraço do Celso.
Muito bom!
Fiquei emocionada com as estórias do Prof. Avelino…. sempre a postos,
sempre presente, sempre educador….
O Prof. Avelino foi docente do atual DBBT, entusiasta formador,
com inúmeros alunos de Iniciação Científica, mestrado e doutorado.
Que homenagem legal, à ele e aos 50 anos da Unicamp!
"Hay hombres que luchan un día y son buenos. Hay otros que luchan un año y son mejores. Hay quienes luchan muchos años, y son muy buenos. Pero hay los que luchan toda la vida, esos son los imprescindibles." Bertolt Brecht
Considero uma das entrevistas
Considero uma das entrevistas mais realistas que já ouvi e assisti. O Professor começa com relato de vida, exemplo e apoio de familiares, de luta pela sobrevivência durante a Universidade, de conquistas por esforço pessoal e contato com os melhores da sua área, mas que lhe apontaram o caminho não fornecendo a condução que foi descoberta e conquistada por ele mesmo.
O relato nos mostra também a difícil posição dos pesquisadores no nosso pais, que não dá apoio a essa atividade.
O Professor passou aos seus alunos os ensinamentos de conquista que ele mesmo utilizou e depois de receber até hoje o agradecimento desses alunos ele pode perceber que estava no caminho certo, pois esses alunos que voltaram para agradecer a ele os duros conselhos à época, estavam corretos e fizeram com que eles triunfassem no seu ideal científico.
Magnífica entrevista que transparece lição de vida, de luta, de sucesso e de emoção.
A Unicamp está de parabéns por existir e por sobreviver mesmo com as adversidades que enfrenta desde a sua fundação, contando com o apoio de Professores como o Professor Avelino.
Parabéns UNICAMP
Na entrevista do Prof.
Na entrevista do Prof. Avelino de Oliveira, vejo-o igual a tantas vezes quando tive o prazer de escutar suas histórias e absorver um pouco da sua humanidade e idealismo obstinado, inicialmente como orientado, mas logo e sempre como amigo. Como memória, esta entrevista é essencial para lembrar a todos que e possível fazer carreira na ciência valorizando as pessoas que ajudamos a treinar e inspirar, em vez de fama e reconhecimento muito menos duradouros. Tipicamente, o Avelino é generoso com quem dividiu o entusiasmo e as frustrações de tentar desenvolver a ciência e o amor ao conhecimento em um país com tanta promessa e tantos problemas. Para escutar, pensar bem, e não esquecer nunca.
Professor Avelino
Professor, que delícia ouvi-lo. Ainda tenho a chave do laboratório de Serologia e, como eu aprendi, estou distribuido outras por aí. Entregar a chave é fácil, explicar para que serve a porta é mais difícil. Obrigado por ter me contado como abrí-las. Se um dia eu tiver que contar a minha trajetória, o Sr. vai ter um capítulo só seu e com direito a Espectroscopia Fotoacústica, asas de cigarrinha, laranjadas e seminários com fome. Estou escrevendo este comentário naquela mesa que estou tomando conta. Uma honra. Deborah se emocionou em vê-lo e a Ligia não acreditou que aquela foto era minha. Faltou contar do seu sistema de corrigir relatórios com interrogações e Beliiissimooooosss. Genial. Não precisa contar o uso da tesoura e a reação que causava. Saudades daquele banquinho. Obrigado por registrar a sua história.