A economia é o sistema total de recursos e energia de uma cultura. Muito freqüentemente, a economia de uma região ou país é pensada como sua moeda. Na realidade, a economia de uma área, é a maneira na qual seus recursos e energias são administrados. As economias modernas são bastante complexas, possuem uma variedade muito grande de energia e recursos para explorar. As culturas primitivas, por outro lado, tinham uma economia muito simples, estudando-as poderemos chegar a uma melhor compreensão das relações da energia e recursos da economia moderna.
Na Parte III exploraremos a economia das sociedades pré-industrial e moderna, e as energias que as conduzem. Logo, examinaremos fontes de energia alternativa para o futuro e discutiremos como poderão ser o estilo de vida e a economia do futuro.
OBJETIVOS:
1. Relacionar os sistemas culturais dos índios norte-americanos com seu meio ambiente;
2. Comparar as relações entre índios primitivos e a natureza, e as relações das civilizações modernas com a
natureza;
3. Descrever o papel dos humanos nos sistemas regenerativos da natureza;
4. Discutir conflitos entre culturas por reservas de energia;
5. Diagramar as conexões de energia de índios primitivos e a natureza.
A economia das culturas primitivas dependia da caça e da coleta de fruta. Nestas economias existia uma pequena necessidade de dinheiro para comida, roupa e instrumentos, que eram obtidos diretamente do meio ambiente.
Usaremos os índios norte-americanos como exemplo representativo das culturas primitivas ao redor do mundo.
Durante a era Pleistocênica (entre 1milhão e 9 mil anos atrás) o clima era muito diferente e a América do Norte era o habitat para animais muito grandes tais como mamutes e mastodontes. Os nativos primitivos eram caçadores e coletores. Caçavam animais, consumiam a carne e utilizavam partes, como osso e couro, para confecção de instrumentos e roupas. Coletavam vegetais, como raízes, frutas e nozes, dos arredores para adicioná-los a sua dieta. A economia destas culturas era baseada exclusivamente em fluxos de energia renovável concentrados em matérias animais e de plantas selvagens.
O diagrama na Figura 21.1 mostra a relação desses indígenas primitivos com seu meio ambiente. A economia se baseava na energia solar, cultivando plantas e sustentando a cadeia alimentar em animais dos quais os índios dependiam. Sua economia era uma economia de energia solar, e não podia manter uma grande população. Os índios primitivos ocupavam o topo desta cadeia alimentar. Como se viu na rede alimentar da floresta (Capítulo 3) e a transformação de energia nos trópicos (Capítulo 4), o papel do consumidor final, que se apoia em cadeias alimentares baseadas na energia solar, é limitada pela produtividade do meio.
Em áreas onde o meio era produtivo, as culturas indígenas provavelmente se instalavam em pequenos assentamentos, espalhados amplamente em todo o território. Muitas culturas indígenas tinham territórios que eram bem vigiados para assegurar que haveria caça e outros gêneros alimentícios suficientes para abastecer a população. Onde o ambiente não era tão produtivo, as culturas indígenas eram nômades e se moviam de um lugar a outro em busca de caça e outros alimentos.
O manejo das sementes e outros gêneros alimentícios conduziu ao estabelecimento de assentamentos humanos mais permanentes. Populações indígenas cresceram com a capacidade de cultivar safras e aumentar a produtividade do meio. O diagrama na Figura 21.2 ilustra a nova conexão entre os índios e seu ambiente, que se desenvolveu logo que a agricultura ganhou importância.
Após isso, os índios não recorriam somente a alimentos selvagens como raízes, nozes e caça, como também cultivavam plantações. Como resultado do crescimento populacional dos indígenas que começaram a permanecer em uma só área, os animais de caça foram completamente exterminados. Esta é uma teoria que explicaria a extinção de muitos animais da Europa e da América.
Logo depois do desenvolvimento da agricultura (entre 6000 e 2000 a.C.) as culturas indígenas ganharam maior complexidade. A economia deles se baseava ainda em processos que utilizavam energia solar, mas estavam capacitados para aumentar o fluxo de energia dessa economia, através da manipulação de seu meio ambiente imediato. Em vez de coletar cereais e raízes, os cultivavam, aumentando a produção. Existem fortes evidências razoáveis de que várias culturas indígenas em toda América do Norte começaram a negociar com outras. Muito freqüentemente, negociavam alimentos que tinham em abundância, instrumentos e informação. Algumas culturas órfãs tinham moedas simples, como conchas e pedras raras, que usavam no comércio.
No tempo da colonização européia da América do Norte em 1500, as culturas indígenas nativas americanas haviam desenvolvido sistemas sociais relativamente complexos, adaptados a seu meio ambiente. Vários eram hábeis fazendeiros, enquanto que outros viviam da abundância de seu meio, sem necessidade de cultivar safras. Com o aumento da influência de culturas européias, as culturas nativas de índios americanos foram substituídas e um novo sistema de valores dominou o meio. Esta nova cultura, introduzida a partir do exterior, tinha uma grande eMergia e foi capaz de explorar com maior rapidez o meio ambiente que as culturas indígenas.
O diagrama da Figura 21.3 mostra as relações entre essas duas culturas em conflito. Enquanto as culturas indígenas baseavam-se principalmente no fluxo de energia solar, as culturas invasoras baseavam-se nas energias e informações importadas do "velho mundo", também do fluxo de energia solar e os depósitos de energia na vida selvagem, madeira e solos. Os novos moradores não tinham grande preocupação em manter os recursos, porque mudavam-se para outros lugares quando eles se esgotavam. Este processo só alcança um ponto de exaustão agora.
As culturas mais intensivamente energéticas, ou seja, as que usavam mais eMergia, deslocavam aquelas de menor energia. Houve muitos conflitos diretos pelos recursos do meio. Os índios norte-americanos viam os novos moradores acabando com os animais de caça que foram um dia abundantes, cortando florestas para construir casas e desmatando a terra para o cultivo.
Com tecnologias novas, como machados e arados, trazidas do velho mundo, a nova cultura podia manipular o meio ambiente para um grau mais avançado que o modelo de cultura indígena. Com armas, a nova cultura podia controlar aos índios. As enfermidades provenientes da Europa, desempenharam um importante papel na exterminação quase total dos índios norte-americanos. Em um período de tempo relativamente curto, a maioria dos nativos americanos foram retirados do meio. Foi preciso somente 100 anos para que os colonos europeus se difundissem de costa a costa, estabelecendo assentamentos humanos e explorando os recursos.
A energia solar, base econômica dos indígenas americanos, foi substituída por uma economia que explorava as riquezas, exportando muito para o velho continente em troca de instrumentos e informações. A exportação e importação de mercadorias, informação e tecnologia, e a imigração de pessoas, mostrado na Figura 23.1, são os fatores que fizeram da nova economia, uma economia mais energética, apta para substituir a economia indígena.
Este diagrama ilustra o início da economia moderna, onde o dinheiro (linhas tracejadas) desempenha um importante papel, e o comércio com outras nações é uma fonte importante de energia. Estudaremos a economia moderna no Capítulo 24.
No Capítulo 4 foi introduzido o princípio de retroalimentação realizado pelo consumidor de mais alta qualidade, para manter o modelo de produtividade básico no sistema. Foram dados exemplos de fazendeiros fertilizando suas plantações e pássaros dispersando sementes. De maneira similar, o modelo do indígena nativo de humanidade e natureza, pode ter envolvido ações humanas com bases culturais, que resultaram em estabilidade para o consumidor humano. O consumidor em retribuição pode haver efetuado um trabalho especial para o meio ambiente - trabalho que requer inteligência, habilidade para viagens e persistência por longos períodos de tempo. O desenvolvimento de diversidade através da limpeza, queimadas periódicas, dispersão de sementes e práticas agrícolas de rotação, são um exemplo do papel das tribos na organização do meio.
Os princípios envolvidos nas relações modernas entre humanidade e natureza são basicamente similares. Homens e mulheres devem retribuir serviços ao meio com o fim de manter produtividade, diversidade, estabilidade e modelos de sobrevivência a longo prazo. De várias maneiras podemos aprender com culturas passadas e sua relação com o meio, e desenvolver um estado de equilíbrio entre humanidade e natureza.
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