OBJETIVOS:
1. Explicar a relação entre fluxo de energia e fluxo de dinheiro;
2. Explicar como o dinheiro paga o trabalho humano, mas não os recursos naturais;
3. Identificar três setores e explicar as atividades de cada um;
4. Dar um exemplo de exterioridade;
5. Distinguir entre energia de alta qualidade e baixa qualidade;
6. Descrever o efeito da inflação no poder de compra;
7. Contrastar o fluxo de dinheiro pelos caminhos de energia através da economia e do governo.
O sistema econômico de uma região ou de um país se caracteriza pelos fluxos de energia, materiais e serviços que se pagam com dinheiro. Se diz que o dinheiro acompanha o curso destes fluxos, e pode ser considerado como um dispositivo de contabilidade da economia.
Não há dinheiro se não existe energia e os materiais que fazem o trabalho da economia. O dinheiro apenas provê uma forma conveniente de facilitar os fluxos de energia e ajuda a distribuir a energia através da economia. Neste Capítulo,é estudado as relações entre energia e dinheiro, e o sistema econômico se descreve como um sistema de energia onde fluxos de dinheiro podem permitir monitorar os fluxos principais de energia que dirigem a economia.
Quando consideramos a habilidade de diferentes formas de energia para contribuir com a economia, devemos tomar em conta a qualidade de energia de cada forma. Uma maneira de fazê-la é substituir cada fonte de energia por uma quantidade de energia solar necessária para realizar o mesmo trabalho, ou seja, referido como a eMergia dessa fonte de energia. Como mostra a Figura 22.1, isto equivale a 40.000 joules de ação direta ou indireta da luz solar através de plantas e atividade geológica, para produzir um joule de carvão. Um joule de carvão pode ser usado para produzir 1/4 joule de eletricidade. Essas proporções podem ser utilizadas para converter carvão e eletricidade em equivalentes solares: O equivalente solar de 1 joule de carvão é 40.000 eMjoules solares sej.; o equivalente solar de 1 joule de eletricidade é 160.000 eMjoules solares. Um modo fácil de explicar a seqüência é colocar as energias de baixa qualidade na esquerda e as de alta qualidade à direita, como se fez em outros diagramas.
Um sistema que é eficiente, usa energia de alta qualidade para propósitos onde o efeito é grande, sempre que a energia requerida para desenvolver energia de alta qualidade seja grande. Energia de alta qualidade é usada geralmente onde pode servir como um amplificador de energia de baixa qualidade. Por exemplo, a eletricidade é usada em fazendas para controlar e facilitar o trabalho humano e não como uma fonte de luz para produzir fotossíntese (substituindo o sol).
A Figura 22.2 mostra um diagrama do orçamento de eMergia dos EUA no ano de 1980. Os números representam eMergia solar, calculada a partir da medição dos fluxos de energia multiplicados por suas Transformidades. Veja a seção 4.7 e a Tabela 27.1.
O valor de eMjoules solares do vento, sol, chuva e marés para todo país é de 8.2 . 1023 eMjoules solares (sej). por ano. Isto está marcado no fluxo da fonte denominada Renovável. A eMergia solar de combustíveis e do solo consumida por ano é 52.0 . 1023 sej, e está marcada nos fluxos das fontes denominadas Combustível e Solo. A eMergia solar nas importações da economia dos EUA foi 6.1 . 1023 sej.
A eMergia consumida por E.U.A. em 1980 foi obtida somando-se a eMergia solar de todas as fontes em uso, e corresponde a 66.3 . 1023 sej por ano.
É importante incluir as energias renováveis, assim como as não renováveis (de combustíveis e solo), quando descrevemos o total de energia de um país. Essas energias renováveis são muito importantes para o total da economia, sem elas não existiria comida, fibras, ou vida selvagem para apreciar. Freqüentemente, quando se analisa o perfil de energia de um país, a imprensa e outras organizações incluem somente a energia que se consome. Isto é uma séria omissão, pois claramente deixa fora muita da energia que se maneja no país.
A quantidade de eMergia de fontes renováveis e de eMergia do solo que é consumida ao ano é igual a 18.2 . 1023 sej. Isto é cerca de 27% do consumo de eMergia anual dos EUA.
Quando o fluxo de dinheiro e energia são mostrados em um mesmo diagrama, como na Figura 22.3 (e na Figura 1.8), a relação é fácil de se ver: a energia e o dinheiro fluem em direções opostas. No "sistema econômico" simples, diagramado na Figura 22.3 os produtos (carne e colheitas) da fazenda fluem para as cidades e em retribuição o agricultor obtém algum dinheiro, que flui em direção oposta, regressando à fazenda. O agricultor usa o dinheiro obtido da venda, para comprar o combustível, maquinaria e fertilizantes necessários da cidade. Novamente, o dinheiro flui contrariamente ao fluxo da mercadoria da cidade para a fazenda.
Os fluxos de energia e dinheiro na Figura 22.3 formam um ciclo. Isto é algumas vezes referido como um ciclo de troca. A energia, em forma de produtos agrícolas e carne, é vendida, e a energia na forma de combustível, maquinaria e fertilizantes, é comprada. O dinheiro flui ao redor em um ciclo contrário. Neste caso, ele é utilizado como meio de troca.
O preço é a relação entre o fluxo de bens e dinheiro e é definido como o montante de dinheiro para comprar uma unidade de bens ou serviços.
Em economias muito simples, onde não existe dinheiro, os bens são trocados por bens, e nenhum dinheiro muda de mãos; isto se chama permuta. Neste tipo de economia, a energia se intercambia diretamente por energia. Imagine um agricultor tentando trocar produtos agropecuários por um trator ou combustível, isto seria algo bastante difícil. Esta é uma das principais razões pelo qual o dinheiro existe: faz este tipo de intercâmbios possíveis. Freqüentemente as pessoas perdem a noção de que são os recursos naturais que fazem com que a economia se mova. E assim, erroneamente buscam dinheiro, em lugar da energia que com ele pode ser comprada.
Outra relação interessante entre a energia e o dinheiro é que o dinheiro sempre paga o trabalho e serviços humanos, e não o trabalho da natureza. Por exemplo, quando se compra gasolina, o dinheiro que se gasta vai ao dono do posto. Quando ele compra mais gasolina, paga ao distribuidor, que paga a refinaria, que paga a companhia de petróleo extratora do petróleo bruto.
Na Figura 22.3 o dinheiro circula entre fazendas e a cidade. Que dinheiro pode comprar a quantidade de sol, chuva e combustível utilizado?
A Figura 22.4 mostra que dinheiro e energia fluem em direções opostas. Como quer que seja, o dinheiro utilizado para comprar combustível da refinaria paga serviços humanos e não o combustível do solo.
Em transações econômicas, o dinheiro é intercambiado por energia, algumas vezes esta não é fácil de ver quando se faz a compra. Por exemplo, dinheiro é trocado por serviços como os de um médico, a energia de uma pequena ação está sendo trocada na transação. Não obstante, existe muita energia empregada em todas as tecnologias com as que o médico conta para prover um serviço a seus pacientes. A eMergia mede as energias que contribuíram ao serviço.
Algumas vezes é fácil medir a eMergia que se acarreta em uma transação, como quando se compra gasolina em um posto. Em outros casos, a eMergia adquirida não é tão facilmente calculada, como quando se trata de serviços, nestes casos é necessário estimar a eMergia na compra usando a relação eMergia-dolar. Esta relação é uma estimativa da energia requerida para circular um dólar na economia. A Figura 22.5 mostra que 66.3 . 1023 sej. foram usados no suporte da economia dos EUA em 1980, e 2.6 trilhões (2.6 . 1012) de dólares circularam. A relação eMergia-dólar para os EUA em 1980, é a relação destes dois fluxos e é equivalente a 2.6 . 1012 sej por dólar.
Usando a relação eMergia-dólar, é possível estimar o montante de eMergia que se gasta no suporte da atividade econômica humana. Por exemplo, em 1980 uma pessoa produziu e gastou U$ 15.000; multiplicando por 2.6 . 1016 sej/$ a eMergia total utilizada esse ano para sustentar essa pessoa foi 3.9 . 1012 sej. Seu pressuposto pessoal de energia, esse ano, provavelmente era só de 4 . 109 joules (25.000 Calorias * 365 dias * 4.186 J/Cal). A diferença entre 3.9 . 1016 e 4 . 109 joules representa toda a energia usada em seu sustento, por máquinas de fazenda, usinas de força, indústria, e também energia natural do sol, chuva, vento e ainda de elevações geológicas.
O fluxo de dólares se denomina Produto Interno Bruto (PIB) e é usado por muitos como uma medida de produtividade total da economia. A circulação de dólares, PIB na Figura 22.5, é o dinheiro gasto pelos consumidores na compra de bens e serviços na economia. De qualquer maneira, como a inflação muda o valor do dólar de um momento a outro, uma melhor medida da atividade econômica total poderia ser a eMergia solar total utilizada no suporte da economia.
A idéia da relação eMergia-dólar também nos permite explicar a inflação. Funciona desta maneira: o poder de compra do dólar é a quantidade de bens e serviços que se pode comprar com um dólar. A relação eMergia-dólar expressa este poder aquisitivo. Em 1980 um dólar comprou 2.6 . 1012 sej de bens e serviços. Agora imagine o que aconteceria na Figura 22.5, se a eMergia que flui para a economia diminuísse; existiria menos energia fluindo para o mesmo número de dólares: a relação eMergia-dólar mudaria. Um dólar teria menos eMergia e, portanto, compraria menos. A perda do poder aquisitivo se denomina inflação.
Obviamente também é possível alterar a relação eMergia-dólar mudando o número de dólares em circulação. Algumas vezes se imprime mais dinheiro; pessoas e governo tendem a pedir empréstimos de dinheiro, o qual incrementa o número de dólares em circulação sem aumentar a quantidade de energia que flui, mas aumenta a taxa de inflação futura. Em 1980 os EUA (e o mundo) experimentou ambos, uma redução na quantidade de combustíveis utilizados e um aumento do fluxo de dinheiro - e um aumento da inflação. Então o Banco Central Americano diminuiu a quantidade de dinheiro disponível aumentando a taxa de juros sobre seus empréstimos. Isto reduziu a inflação.
A deterioração do valor do dólar por causa da inflação é mostrada na Figura 22.6. Este gráfico mostra o poder aquisitivo em termos de eMergia.
Na Figura 22.3 é mostrado uma economia simples com dois setores. O primeiro setor é a fazenda e o segundo setor a cidade. Esta é uma forma de simplificar bastante a economia: juntar todas as atividades agrícolas no setor agrícola, enquanto que todo o setor industrial, comercial, doméstico e governo são amontoados no setor cidade. Não obstante, o diagrama está incompleto porque não inclui o trabalho que o meio ambiente faz em suportar a atividade econômica humana. Em outras palavras, não inclui o setor de meio ambiente.
O diagrama na Figura 22.7 mostra os setores da agricultura e cidade, e outro chamado terras naturais que inclui florestas, pântanos, pradarias, e outros bens naturais. Estes sistemas naturais são o setor ambiental da economia, que provê muitos "serviços grátis" à atividade humana. A circulação de dinheiro ainda permanece no setor agrícola e urbano, enquanto que nada de dinheiro circula de outros setores ao meio ambiente. Todavia, existe uma retroalimentação da cidade para o ambiente, que representa a reciclagem dos nutrientes das águas servidas e outros desperdícios, e outros esforços para controlar o ecossistema natural.
Os fluxos de energia e dinheiro através desta economia simples são fáceis de entender. Muito freqüentemente é desejável obter mais detalhes acerca da economia, e muitos mais setores surgem dos três setores básicos do diagrama. Desta forma, a economia recebe o nome de "rede de interações".
A economia forma uma rede que converge energia ao setor de consumidores humanos, como uma rede de um ecossistema que converge aos altos consumidores. Na Figura 22.8 a economia foi dividida em seis setores, com energia fluindo para os setores de alta qualidade, que são o governo e o doméstico. A energia natural renovável flui no setor de produção, o qual inclui pesca, agricultura, florestas, turismo e recreação. Os combustíveis internos como petróleo, carvão e gás, e materiais naturais como fosfatos, areias, brita, cal e ferro, estão incluídos em um símbolo de armazenagem (porque são não renováveis). Estes se usam no setor industrial para produzir artigos como máquinas, roupas e aparatos domésticos. Muitas mercadorias são importadas diretamente do setor comercial. As utilidades produzem energia elétrica do carvão, petróleo, gás e combustível nuclear. O petróleo e a gasolina são adquiridas pelo setor doméstico para aquecimento e uso em transporte automobilístico. A produção de todos os setores se distribui através do setor comercial para o setor doméstico. O governo controla os outros setores através de leis e regulamentações e oferece serviços como seguros, saúde, educação, bem-estar e subsídios.
A quantidade de dinheiro que flui ao longo de cada caminho de energia dentro da economia, exceto em direção ao governo, é determinado pelo preço. O preço é determinado pela oferta e a demanda. Por exemplo, quando há escassez de laranja comparada com a demanda, o preço sobe: mais dinheiro vai aos produtores de laranja.
O fluxo de dinheiro pelo setor do governo é mais complicado. Fluxos para o governo se determinam principalmente por mecanismos políticos e não pelos preços. Da maior parte dos setores se arrecadam impostos dentro de depósitos de dinheiro, e logo se distribuem como serviços. O fluxo de dinheiro não segue os produtos e serviços pois a quantidade de dinheiro governamental para cada setor pode não se relacionar diretamente com a quantidade de serviços do governo nesse setor. Quando as pessoas (através de seus políticos) querem estimular alguma parte da economia, o governo ministra assistência. Como exemplo, os subsídios dados ao agricultor são mostrados no diagrama como uma linha cheia, fluindo do governo para o setor agrícola.
A circulação de dinheiro (linhas pontilhadas) na Figura 22.8 se pode representar de outra maneira, mostrada na Figura 22.9. Esta é uma tabela de entrada-saída para a economia dos E.U.A. Cada caixa corresponde ao fluxo de dólares de um caminho no diagrama de rede. A soma das colunas é o dinheiro que o setor paga por bens consumidos nesse setor. A soma das filas em sentido horizontal é o dinheiro pago a cada setor pelos bens produzidos nesse setor.
Exportação | Agricultura, silvicultura, pesca |
Mat.prima, utilidades, refinarias |
Indústria | Comunicação, transporte, comércio |
Utilidades domésticas |
Governo | Total | |
---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Importação | 0 | 1 | 3 | 17 | 3 | 9 | 4 | 37 |
Agricultura, silvicultura, pesca |
3 | 17 | 0 | 31 | 3 | 6 | 0 | 60 |
Mat.prima, utilidades, refinarías |
2 | 1 | 15 | 15 | 5 | 10 | 2 | 50 |
Indústria | 23 | 13 | 10 | 331 | 124 | 157 | 74 | 732 |
Comunicação, transporte, comércio |
9 | 12 | 7 | 90 | 127 | 304 | 20 | 569 |
Utilidades domésticas | 0 | 11 | 10 | 224 | 242 | 138 | 82 | 707 |
Governo | 0 | 5 | 5 | 24 | 65 | 83 | 49 | 231 |
Total | 37 | 60 | 50 | 732 | 569 | 707 | 231 | 2.386 |
Desde o ponto de vista do consumidor humano, os dólares, que entram como rendimentos e saem como pagamentos diretos ou indiretos à vida pessoal, são os fluxos mais importantes. Como uma medida da atividade econômica que converge nos humanos, o fluxo através do último setor (residências e governo) da Figura 22.9 é chamada Produto Interno Bruto. Na Figura 22.9 é a soma dos fluxos através das colunas para as casas e o governo. Esses consumidores são denominados demanda final.
A importação e exportação estão incluídos na tabela, e são mostrados como fluxos transversais ao limite do sistema na Figura 22.8.
Uma tabela de entrada-saída também pode ser usada para representar outros fluxos entre setores, tal como materiais. Por exemplo, uma tabela de entrada-saída para um ecossistema pode ter dados sobre um fluxo de carbono no alimento, para um setor da economia natural a outro.
Como a tabela de entrada-saída representa facilmente o fluxo de dinheiro entre setores, o diagrama de rede na Figura 22.8 representa melhor o fluxo total de energia. O diagrama mostra os fluxos de entrada para o exterior que dirigem o sistema, e que eventualmente se tornam degradáveis e se dispersam no sistema. As posições no diagrama, de esquerda a direita, indicam qualidade energética.
22.9 PERGUNTAS E ATIVIDADES DO CAPÍTULO 22.
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