O hormônio utilizado para a produção da chamada “pílula do dia seguinte”, o levonorgestrel, foi objeto de estudo no Instituto de Biologia da Unicamp, diante da hipótese de que ele pudesse apresentar uma ação sobre o influxo de cálcio em espermatozóides de homens férteis. Tal hipótese, que faz parte de um leque de outras controvérsias, foi descartada em pesquisa desenvolvida por Luciana Helena de Santis. “O fato de eliminar uma das suspeitas relacionadas com o hormônio já é uma grande contribuição para a pesquisa científica”, argumenta a autora da dissertação de mestrado intitulada Efeito in vitro da adição do levonorgestrel sobre o influxo de cálcio em espermatozóides de homens férteis.
Estudo no IB descarta efeito de hormônio em espermatozóides
Segundo Luciana de Santis, a indústria farmacêutica tem interesse em pesquisas com este enfoque, pois existe forte polêmica, por exemplo, sobre um possível efeito abortivo da pílula do dia seguinte que a mulher utiliza em dose única, quando mantém relação sexual sem recorrer a métodos de proteção. Há estudos apontando que o hormônio inibiria a fecundação.
A pesquisadora esclarece, no entanto, que concentrou seu estudo no efeito do levonorgestrel sobre os homens. “Como já existem pesquisas quanto ao organismo feminino, a intenção era entender se o espermatozóide seria afetado pela droga. O espermatozóide é uma célula altamente especializada e apresenta diferenciações morfofisiológicas para garantir o sucesso na fecundação. Por isso, os estudos nesse sentido contribuem para abrir caminho até os métodos de anticoncepção masculina”, explica Luciana, que foi orientada pelo professor Luis Antonio Violin Dias Pereira.