Unicamp perde o professor Luiz Augusto Magalhães, um de seus pioneiros

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Luiz Augusto Magalhães
Luiz Augusto Magalhães

Faleceu no dia 24 de dezembro o professor Luiz Augusto Magalhães, docente aposentado do Departamento de Biologia Animal, do Instituto de Biologia e Professor Emérito da Unicamp. Magalhães foi um dos primeiros professores a ocupar o campus de Barão Geraldo, em Campinas, nos anos 1960. Autor da primeira tese defendida na Unicamp, Luiz Augusto Magalhães reservava uma cadeira de forro esverdeado para os que visitavam sua sala no Instituto de Biologia. Bem modesta perto das cadeiras de trabalho projetadas atualmente, aquela possuía encosto baixo demais para a posição dos braços e um assento estranhamente estreito, numa altura que permite a um homem de pequena estatura sentir os pés no chão. Sentado nela, na época em que a Faculdade de Medicina estava ainda instalada na Maternidade de Campinas, Zeferino Vaz planejou a construção da Unicamp. “No dia em que defendi a tese de doutoramento, em 1967, o reitor disse que eu precisava de uma cadeira nova e me presenteou com a sua”, recordou o anfitrião, em entrevista para o Jornal da Unicamp 387, de 3 a 9 de março de 2008.

Antes, Zeferino Vaz já havia cedido sua secretária para datilografar a tese de Magalhães, além de ajudar pessoalmente nas correções do texto. “Ele tinha pressa, pois convinha ao chefe do Departamento de Parasitologia o título de doutor”, disse Magalhães ao jornalista Luiz Sugimoto, quando a Unicamp chegou a 20 mil teses defendidas. A amizade entre os dois começou na Universidade de Brasília, desmantelada após o golpe militar de 1964 porque o reitor Zeferino Vaz rejeitou ingerências políticas na instituição, recebendo o apoio de todos os professores. “Assinei o manifesto e, como os demais, acabei desempregado”, afirmou Magalhães. Médico sanitarista, para ser professor ele havia deixado um posto seguro na refinaria da Petrobrás em Duque de Caxias, e também as pesquisas na Seção de Esquistossomose do Instituto Oswaldo Cruz em Manguinhos. 

Luiz Augusto Magalhães, sentado, à esquerda
Luiz Augusto Magalhães, sentado, à esquerda

Luiz Augusto Magalhães aparece em algumas fotos da cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Unicamp, em 5 de outubro de 1966. Mas o foco das câmaras estava no marechal Castelo Branco, cuja presença foi encarada como deferência especial, visto que ele mesmo se declarou avesso a tais cerimônias: “O país está cheio de pedras fundamentais que não frutificaram”, ironizou. “Desconheço qual era o tipo de relacionamento entre Castelo e Zeferino. O que ouço é que Castelo foi o mais liberal entre os presidentes militares e que desejava o fim do regime o mais rápido possível. Ficou aborrecido com a crise na UnB e talvez por isso quis prestigiar o ex-reitor no projeto em Campinas”, opinou Magalhães, ainda em 2008. 

A área de 30 alqueires no distrito de Barão Geraldo, escolhida para a implantação da Unicamp, era considerada um fim de mundo. Em 1968, quando Zeferino Vaz enfrentava críticas de professores ao projeto, principalmente em relação à distância e à lama, Luiz Augusto Magalhães, em sinal de apoio ao reitor, juntou sua equipe de oito pessoas, a cadeira herdada e as tralhas pessoais para “tomar posse” do terreno. O Departamento de Parasitologia instalou-se em construção precária ao pé da caixa d’água, onde hoje funciona a Diretoria Geral de Administração, em frente à Reitoria. Ir ao banheiro significava excursionar pelo mato. “O objetivo era marcar presença no campus. Uma semana depois o professor João Baptista Parolari trouxe o Departamento de Anatomia”, recordou-se na ocasião.

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Escritor e articulista, o sociólogo foi presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais no biênio 2003-2004