O Museu de Artes Visuais da Unicamp (MAV) inaugurou nesta quinta-feira (22) duas novas exposições na Galeria do Instituto de Artes (Gaia). Na sala 1 está em cartaz Passado e Presente, a África e o Ocidente na coleção de Rogério Cerqueira Leite, e na sala 2 está em exibição Metáforas do Vazio: O Paraíso Tropical, com obras da artista plástica Rosana Paulino. As duas mostras, que receberam a curadoria de Juliana Bevilacqua, integram as atividades da Calourada 2018.
Colecionador de objetos artísticos africanos, o professor aposentado do Instituto de Física Rogério Cezar de Cerqueira Leite possui em seu acervo mais de 300 obras. Nessa exposição, foram selecionadas treze esculturas produzidas no século 20 de países como Nigéria, Mali, Costa do Marfim, Gabão, Burkina Fasso, Congo e outros. "O critério de escolha foi aliar obras que levantassem questões relacionadas com a diversidade da produção artística do continente africano, mas também peças que suscitassem questões que geralmente não são exploradas em exposições desse tema", conta a curadora Juliana Bevilacqua. “A ideia é ampliar a concepção do que é arte africana, e no Brasil pensar qual a nossa contribuição nesse campo”.
Já a mostra de Rosana Paulino trouxe a série Paraíso tropical, elaborada em 2017 com dez gravuras e uma produção em tecido. Os trabalhos apresentados tratam da imagem de mulheres negras escravas, explorando a relação do tema com a dominação e resgatando a memória das vitimas do período.
“Essa série explora a relação das mulheres escravizadas com a ciência, revelada com a ideia dos herbários e da concepção da ciência que não poupou os povos africanos. E mostra como isso é atualizado no presente, já que o racismo continua perpetuando em nossa sociedade”, explica Juliana Bevilacqua. “Apesar de serem exposições distintas, elas possibilitam alguns diálogos entre si, como a ideia de passado e presente. Rosana Paulino evoca o passado para atualizar o presente a partir das feridas da escravidão que não se fecharam”.
Segundo Iara Lis Franco Schiavinatto, professora do Instituto de Artes (IA) e diretora associada do MAV, as duas exposições tematizam a arte africana e afrobrasileira de formas diferentes, mas que em muitos momentos acabam dialogando entre si. "Em geral conhecemos mais a arte afrobrasileira, e menos a africana. Aqui temos a oportunidade de ver as duas ao mesmo tempo e entender como elas têm interlocução", entende Iara Lis. “Essas exposições nos fazem pensar sobre o racismo dentro do Brasil, neste momento em que a Universidade decide sobre novas formas de acesso”.
Presente na abertura, o professor Marcelo Knobel, reitor da Unicamp, destacou a importância da comunidade ter acesso a esse tipo de exposição de forma constante. "É uma preocupação de nossa administração trazer mais atividades artísticas para o campus. Não existe nenhuma universidade de ponta sem atividades culturais fortes".
As exposições Passado e Presente, a África e o Ocidente na coleção de Rogério Cerqueira Leite, e Metáforas do Vazio: O Paraíso Tropical estarão em cartaz até o dia 9 de abril, na Galeria do Instituto de Artes da Unicamp, localizada no térreo da Biblioteca Central. Apesar de ainda não contar sede própria, o Museu de Artes Visuais está em processo de consolidação realizando atividades dentro e fora da Unicamp.
Na próxima edição da Campinas Decor, que será realizada entre 27 de abril até 10 de junho na sede da Fazenda Argentina, o museu terá um espaço fixo chamado Antessala do MAV, onde irá divulgar seu trabalho para a comunidade. Em breve a programação do segundo semestre será divulgada.