Mais de mil pesquisadores endossam texto contrário à politica socioambiental do Governo Federal

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Foto mostra cinco brigadistas do ICMBIO caminhando em uma estrada de terra cuja vegetação em volta foi toda queimada. Eles se dirigem a um foco de incendio com equipamentos para apagar o fogodas
Brigadistas atuam em foco de incêndio na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais

Em um artigo de opinião publicado na revista Nature Ecology and Evolution, pesquisadores de todo o Brasil se posicionam contrários ao desmantelamento, pelo Governo Federal, de políticas socioambientais adotadas desde 2005. A publicação traz o endosso de 1230 docentes e pós-graduandos de várias universidades e instituições brasileiras e também internacionais. As assinaturas foram coletadas em uma semana.

O documento afirma que a governança dos serviços oferecidos pelos ecossistemas está comprometida, ou seja, ecossistemas como a Floresta Amazônica, por exemplo, podem ser perdidos graças a ações equivocadas, tendo como consequência o fim de uma cadeia de benefícios para a humanidade.  

O texto tem o caráter de um manifesto, apontando a importância estratégica do Brasil para o mundo nas questões socioambientais. O título traduzido para o português é “Ajude a Restaurar a Governança Brasileira dos Serviços Ecossistêmicos de Importância Global”. O documento traz um mapa do programa ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) evidenciando como o Brasil se destaca por guardar muitos ativos em seus ecossistemas.

“Os ecossistemas fornecem um acúmulo de serviços para a humanidade como estoques de carbono, regulação do clima ou mesmo ativos culturais, que podem ser perdidos e gerar consequências gravíssimas”, afirma Bernardo Monteiro Flores, pós-doutorando em Biologia Vegetal na Unicamp. Ele divide a primeira autoria do documento com a pesquisadora Carolina Levis, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Ciclista passa ao lado de rio coberto por espumas brancas em foto que mostra poluição das águas
Poluição no Rio Tietê, em São Paulo, na região de Bom Jesus de Pirapora

Bernardo conta que a ideia do artigo surgiu quando, em 2019, cientistas europeus pediram aos governos que deixassem de comercializar produtos com empresas brasileiras em desacordo com a conservação do meio ambiente e os direitos dos povos indígenas. A carta assinada por 602 cientistas de instituições europeias foi publicada na revista Science. (veja aqui)

“Decidimos escrever uma carta, feita por brasileiros, com uma mensagem parecida. Nós acreditamos que a comunidade científica precisa dizer para o mundo que não concorda com a política socioambiental do país e que a consequência da perda de ecossistemas não afeta só o Brasil, mas também outros países”, afirma.

Os autores enfatizam no texto a importância dos ativos culturais, como o modo de vida de povos tradicionais, como os indígenas, também ameaçados pela atual política. “Um dos serviços globais prestados pelos ecossistemas é cultural: pessoas da Ásia podem ser inspiradas pelos povos indígenas a desenvolver novas formas de vida que podem ajudar a resolver problemas que a sociedade enfrenta”, exemplifica Bernardo.

O documento propõe três soluções com base em evidencias científicas, os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e acordos internacionais assinados pelo Brasil: desenvolver agroindústria sustentável, proteger e restaurar ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos, e fortalecer os direitos dos povos indígenas e tradicionais.

Acesso ao artigo: Help restore Brazil’s governance of globally important ecosystem services

Material complementar contendo tradução em português e lista de pesquisadores

 

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Brigadistas tentam apagar foco de incendio na Serra da Canastra

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Escritor e articulista, o sociólogo foi presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais no biênio 2003-2004