Submeter o adolescente a treinamentos físicos intensos na expectativa de que se torne um grande atleta pode ser um erro, segundo alerta Arnaldo Luis Mortatti, professor de Educação Física, em pesquisa de mestrado apresentada na Unicamp. Ele afirma que os programas para treinamento sistematizado, muitas vezes, não contemplam o grau de maturação sexual do adolescente quando ocorre o aumento das taxas de hormônios masculinos, responsáveis pela atividade enzimática e ganho de força muscular. “Não adianta aumentar a intensidade de exercícios se a pessoa não estiver preparada para absorvê-los positivamente. Forçar o exercício pode até causar um estresse”, explica o professor.
Orientado pelo professor Miguel de Arruda, Mortatti realizou o estudo com dois grupos na faixa etária entre 11 e 13 anos: um composto por jogadores de futebol que mantinham rotina intensa de treinamento físico havia dois anos, e o outro de adolescentes sem nenhum tipo de treinamento. Os jogadores apresentaram melhor capacidade motora, mas quando este desempenho foi relacionado com o grau de maturação sexual, apareceram diferenças, embora discretas: os de menor grau de maturação tiveram também desempenho motor menor, enquanto aqueles com maior grau de maturação mostraram influência positiva no desempenho.
Chamou a atenção de Arnaldo Mortatti que mesmo os adolescentes de mesma idade, mas com graus de maturação sexual diferentes, apresentaram tendência a alterações de desempenho. “Isso pode significar que adolescentes em idades semelhantes devem ser treinados de maneiras diferentes”, esclarece. O professor observa que um garoto pode se destacar nas atividades físicas porque o grau de maturação maior leva a um melhor desempenho. “Mais cedo ou mais tarde, os outros tendem a alcançá-lo”, conclui.